A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (22), confirmou que a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece viável para o segundo turno das eleições de 2026. A apuração é dos analistas de Política da CNN Pedro Venceslau e Edilene Lopes ao Hora H.
Segundo Venceslau, o PL minimizou o resultado da pesquisa. “Algumas lideranças do PL esperavam um cenário pior ainda”, afirmou. “Tinha gente que esperava uma diferença de até dois dígitos, portanto, isso está dentro daquilo que eles consideram aceitável.”
A legenda também observou com atenção os números de Michelle Bolsonaro, que aparece com 43% contra 48% de Lula em cenário de segundo turno — desempenho próximo ao de Flávio, o que, segundo fontes ouvidas por Venceslau, enfraquece a tese de uma eventual substituição de candidatura.
PL comemora ausência de migração de votos para a direita
Outro ponto destacado pelos bolsonaristas foi o fato de que candidatos da direita como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), não registraram crescimento expressivo em meio à crise.
“Não houve um crescimento significativo dessas candidaturas”, disse Venceslau.
Para o PL, isso enfraquece a possibilidade de algum desses nomes ocupar o espaço de Flávio Bolsonaro como principal escolha do antipetismo.
No cenário de segundo turno, Lula e Flávio ainda aparecem dentro da margem de erro, embora tenha havido um descolamento em relação ao empate de 45% a 45% registrado na pesquisa anterior.
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PT aposta em desgaste contínuo de Flávio Bolsonaro
Edilene Lopes relatou que a base de Lula acredita que o desgaste de Flávio será contínuo enquanto ele não explicar a destinação dos recursos envolvidos no caso.
“Enquanto essa dúvida permanecer na cabeça do eleitor, Flávio Bolsonaro sai perdendo porque não conseguiu se explicar e a polêmica permanece se arrastando”, destacou Lopes.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou pedidos à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a veiculação do filme Dark Horse, com previsão de lançamento para setembro, alegando que se trata de uma peça eleitoral antecipada.
Pedro Venceslau também ouviu o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que avaliou que a pesquisa revela um sentimento de decepção entre o eleitorado bolsonarista.
“Uma parte do eleitorado bolsonarista foi por anos mobilizada pelo tema da corrupção e, ao se deparar com a investigação sobre o Flávio, teve um impacto forte e um clima de desencantamento”, disse Valadares, conforme relatado por Venceslau.
Para o partido, o caso Dark Horse teria custado a Flávio Bolsonaro a chamada “carta da corrupção”, que ele pretendia usar contra o PT.
O partido também avalia que o caso do Banco Master, antes associado ao governo federal, passou a representar um problema maior para a campanha de Flávio, e afirma ter material suficiente para explorar o tema durante o horário eleitoral gratuito.
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