A ministra da Economia da Alemanha instruiu a estatal SEFE a aumentar os estoques de gás natural devido aos riscos geopolíticos persistentes, confirmou sua porta-voz nesta quarta-feira (30).
“As medidas a serem adotadas pela SEFE também visam enviar um sinal claro a outras empresas”, acrescentou a porta-voz em um comunicado enviado por e-mail.
Os volumes adicionais serão obtidos por meio de suprimentos extras, de modo a não interferir nas injeções realizadas por outros participantes do mercado, disse ela.
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Rússia tenta desestabilizar Europa com ataques em “zona cinzenta”
Os ataques da Rússia à Europa visam fazer com que a guerra pareça mais próxima, sem realmente iniciá-la. Provocar, sem forçar uma resposta. Alarmar, sem causar uma mudança real de comportamento. É uma estratégia construída em torno de uma contradição.
Moscou intensificou visivelmente seu conflito de “zona cinzenta” com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa nesta última semana.
Desde o final do domingo (13), uma ferrovia pela qual viajavam ex-autoridades ocidentais de alto escalão foi atacada por um drone russo; outro drone, provavelmente de origem russa, foi abatido na Lituânia; um terceiro também apareceu na costa polonesa; já um helicóptero dinamarquês escapou por pouco de ser atingido por um sinalizador russo; além de trens holandeses que foram paralisados por um ato de sabotagem cuja autoria ainda não foi reivindicada.
Nada disso é por acaso. E tudo isso ocorre após semanas de alertas de que Moscou buscaria uma escalada com a Otan — embora talvez não porque deseje ou tenha condições de sustentar um conflito aberto com a maior aliança militar da história.
Em vez disso, o presidente russo, Vladimir Putin, tem dois objetivos, facilitados por uma administração Trump relutante em contrariá-lo devido às eleições de meio de mandato no país e pelo estado de escassez crítica das defesas aéreas da Ucrânia.
O primeiro objetivo do líder é fazer com que o custo de apoiar a Ucrânia pareça real e crescente, pesando na mente dos eleitores europeus num momento em que partidos de direita pró-Rússia disputam o poder em vários países da região. O segundo é testar uma obsessão negativa de longa data de Putin, o Artigo 5 — a pedra angular da aliança da Otan, segundo a qual um ataque a um membro é um ataque a todos.
Não resta dúvida: a Rússia está conseguindo realizar atos de sabotagem, violações de fronteira e planos de assassinato que, na Guerra Fria, teriam gerado um temor existencial. Agora, tudo isso parece algo corriqueiro.
Um ataque com drone que por pouco não atingiu um aeroporto alemão, um míssil balístico que caiu em campo aberto na Polônia, planos de assassinato citados em denúncias apresentadas no Distrito Sul de Nova York: a lista vem crescendo desde o fim do verão, assim como o potencial de letalidade e a abrangência geográfica dessas ameaças.
Moscou talvez esteja mais bem preparada para esse tipo de dança arriscada. Um alto funcionário europeu afirmou que a mentalidade russa estava mais adaptada do que a da Otan a uma escalada errática. “Desde a era soviética, os russos teorizam sobre o ajuste flexível de poder e agressão”, observou ele. “Para a Otan, gerir a escalada dessa maneira é algo relativamente novo. Portanto, há lições a serem aprendidas pela aliança.”
Ele acrescentou: “Reagir de forma exagerada não é útil, mas oferecer a outra face também não.”
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