A inflação brasileira registrou desaceleração em junho, com o IPCA atingindo 0,16% no mês. O resultado foi impulsionado pelo alívio no grupo de alimentos e pela queda nos preços dos combustíveis, especialmente o etanol. Ainda assim, economistas avaliam que a melhora é pontual e que o cenário inflacionário segue desafiador.
Segundo Maria Regina Silva, editora da Broadcast, o índice ficou abaixo do piso das expectativas levantadas pelo Projeções Broadcast, que apontava alta de 0,26%.
No acumulado de 12 meses, a taxa de 4,64% também surpreendeu positivamente, ficando abaixo do piso previsto de 4,75%. No entanto, esse patamar ainda supera o teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.
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Etanol e alimentos puxam o alívio
Os principais fatores que contribuíram para a desaceleração do IPCA em junho foram o grupo de transportes, influenciado pela queda do etanol, e o grupo de alimentação.
O etanol apresentou variação negativa de cerca de 3%, resultado direto da safra em plena atividade, que elevou a produção e ampliou a oferta do produto.
Já a alimentação registrou deflação de 0,24%, impulsionada pelo recuo em itens como café, que havia subido bastante nos meses anteriores, e em alimentos in natura, que costumam apresentar preços menores nessa época do ano.
Núcleos e índice de difusão também recuam
Outros indicadores internos do IPCA reforçam a leitura de alívio no curto prazo. Conforme cálculos da Terra Investimentos, o índice de difusão — que mede o quanto a inflação está espalhada pela economia — recuou para a faixa de 53% em junho, após registrar 65% em maio.
Além disso, as médias dos núcleos, os serviços e os serviços subjacentes, indicador acompanhado de perto na tomada de decisões de política monetária, também perderam força em relação ao mês anterior. No acumulado de 12 meses até junho, apenas o item de bens industriais apresentou aceleração.
Perspectiva para a Selic e incertezas à frente
O resultado do IPCA de junho reforça, no curtíssimo prazo, as expectativas de uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros no Copom de agosto.
Contudo, Maria Regina Silva destacou que permanecem incertezas relevantes, sobretudo relacionadas aos efeitos do avanço recente do petróleo, cujo impacto ainda pode não ter sido totalmente absorvido por diversos itens da cesta.
Os especialistas reforçam que a cautela deve ser mantida e que os próximos passos da política monetária, a partir de agosto, podem ficar em aberto. A perspectiva geral é de uma inflação acima do teto da meta em 2026.
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