As forças armadas dos Estados Unidos acenderam um alerta preocupante: o estoque de mísseis interceptadores do país caiu para níveis perigosamente baixos após cinco meses de guerra contra o Irã. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o tema ao CNN Prime Time.
Segundo fontes ouvidas pela CNN, cerca de 80% dos interceptadores que compõem um importante sistema de defesa antimíssil já foram utilizados no conflito.
Comandantes do alto escalão do Pentágono confirmaram a gravidade da situação. A agência Reuters também informou que os Estados Unidos consumiram boa parte de seus mísseis de longo alcance e alta precisão ao longo do conflito — armamentos considerados estratégicos por permitirem ataques precisos a distâncias seguras.
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De acordo com as fontes, o nível atual dos estoques levanta questionamentos sobre a prontidão americana diante de eventuais novos conflitos.
Negociações em estágio avançado, mas sem consenso
Em meio ao cenário de desgaste militar, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou nesta terça-feira (4) que os esforços para resolver o conflito entre os Estados Unidos e o Irã estão em “estágios bastante avançados”, acrescentando que minutas de um possível acordo já estão “circulando”.
Autoridades iranianas, no entanto, negam qualquer avanço nas negociações.
O analista Lourival Sant’Anna identificou um padrão recorrente nas movimentações diplomáticas.
“Quando chega o fim de semana, Trump ameaça o Irã. Inclusive, nesse fim de semana, disse que haveria o maior ataque contra o Irã desde a Segunda Guerra Mundial. E aí, quando os mercados vão abrir, a partir do domingo à noite, ele começa a acalmar os ânimos e dizer que existem negociações”, explicou.
Impasse sobre o Estreito de Ormuz deve perdurar
Para Sant’Anna, o núcleo do impasse está na incapacidade americana de impor ao Irã a retomada da livre navegação no Estreito de Ormuz.
“Está claro para os Estados Unidos que eles não têm condições de obrigar o Irã a aceitar a retomada da navegação livre no Estreito de Ormuz”, afirmou o analista. Segundo ele, eventuais acordos e memorandos de entendimento sempre esbarrarão nessa limitação.
O analista destacou ainda as exigências iranianas para qualquer acordo: o direito de enriquecer urânio, a retomada do programa nuclear — descrito pelo país como pacífico —, o levantamento das sanções sobre o petróleo e o descongelamento de mais de US$ 100 bilhões em depósitos bancários no Golfo Pérsico.
Além disso, Sant’Anna mencionou uma promessa do governo americano de contribuir para um fundo de investimentos de até US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã.
Apesar disso, a Guarda Revolucionária Islâmica exige garantias de que o país não voltará a ser atacado — e, para assegurá-las, pretende manter a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz quando considerar necessário.
“Esse é um impasse que vai perdurar”, concluiu Sant’Anna.
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