O governo federal anunciou uma piora na revisão do déficit das contas públicas, com a previsão de rombo chegando a quase R$ 81 bilhões. A deterioração ocorre poucas semanas após o Palácio do Planalto anunciar um reajuste de cerca de 15% no valor do Bolsa Família, medida com impacto fiscal considerado significativo.
O reajuste no benefício gerou um custo de cerca de R$ 6 bilhões para 2026 e de mais de R$ 20 bilhões para o próximo ano. O analista de Economia Gabriel Monteiro destacou que, quando o governo anunciou o reajuste, afirmou aguardar um espaço fiscal para viabilizá-lo.
“Esses R$ 6 bilhões seriam acomodados no Orçamento porque tivemos despesas menores do que a expectativa com a Previdência Social e com benefícios que são distribuídos pelo INSS”, contextualizou Monteiro durante o CNN 360º desta quinta-feira (24). A economia estimada era de R$ 15 bilhões.
Leia Mais
-
Governo terá que realocar novo orçamento para reajuste do Bolsa Família
-
Governo intensifica apelo ao consumo e gera crescimento insustentável
-
País enfrenta "fadiga fiscal" e dívida pode bater 100% até 2035, diz estudo
No entanto, conforme apontou Monteiro, essa folga foi rapidamente consumida por outras despesas, entre elas um aumento de R$ 20 bilhões em créditos extraordinários para subsídio de combustíveis, os R$ 6 bilhões destinados ao custeio do Bolsa Família e outros R$ 15 bilhões que também saíram da conta.
Além disso, a projeção de arrecadação com impostos foi reduzida em R$ 6 bilhões em relação à estimativa de dois meses atrás.
“O rombo fiscal piorou, a situação das contas públicas está pior do que na leitura de dois meses atrás, e o espaço que foi liberado por conta dessas receitas menores foi basicamente ocupado por outras despesas”, resumiu o analista.
Meta fiscal e trajetória da dívida pública
Apesar do cenário adverso, a equipe econômica afirmou que conseguirá cumprir a meta fiscal deste ano, encerrando o período com resultado primário zero. “Nem dando superávit, nem dando prejuízo”, explicou Monteiro.
Contudo, ele alertou que esse cumprimento de meta se apoia em um conjunto de exceções que supera R$ 67 bilhões.
“A dívida pública brasileira vai aumentar, porque esse dinheiro não vai para debaixo do tapete, esses gastos não somem só porque não contabilizam para cumprimento de meta”, afirmou Monteiro.
Ele acrescentou que a indicação para a condução da política fiscal no Brasil “é muito ruim”, uma vez que o déficit projetado para o ano atual é igual ao do ano anterior e maior do que o de 2024.
Segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente citados pelo analista, seria necessário um superávit efetivo superior a 2% do PIB para estancar o crescimento da dívida pública. “A gente ainda está muito longe desse cenário se continuarmos jogando com regulamento debaixo do braço”, concluiu.
Comentários: