O alto funcionário do Hamas, Ghazi Hamad, confirmou à CNN que o grupo palestino chegou a um acordo com o Conselho de Paz para entregar suas armas. A medida, no entanto, está condicionada ao envio de uma Força Internacional de Estabilização para Gaza e ao cumprimento, por parte de Israel, das obrigações previstas no acordo de cessar-fogo de outubro. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comena o tema.
“O acordo é um pacote completo”, declarou Hamad. “Não iniciaremos nenhuma ação relacionada a armas até que Israel cumpra esses compromissos”, acrescentou o dirigente.
Analista aponta manobra política do Hamas
Para Lourival, o acordo não tem perspectiva real de avançar. Segundo ele, o Hamas vem executando uma série de movimentos estratégicos desde o dia 6 de julho, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Israel e ampliar as tensões entre o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
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“Não há a menor chance desse acordo prosperar e todos os envolvidos sabem muito bem disso”, afirmou o analista.
Sant’Anna explicou que o primeiro passo dessa estratégia foi o Hamas renunciar ao governo civil da Faixa de Gaza, cedendo espaço ao Comitê Nacional de Administração de Gaza, criado pelo Conselho da Paz e formado por tecnocratas.
Israel, no entanto, não permite a entrada desse comitê no território. Ao aceitar agora a ideia do desarmamento, o Hamas daria continuidade a esse mesmo movimento, segundo o analista.
Israel na berlinda: eleições e gabinete radical
De acordo com Sant’Anna, o objetivo do Hamas é colocar Israel contra a parede, especialmente diante de um cenário político interno delicado. O analista destacou que Israel possui eleições previstas para o dia 27 de outubro e um gabinete descrito por ele como extremamente radical.
Figuras como Betzalem Smotrich e Itamar Bengvi defendem a ocupação permanente da Faixa de Gaza por Israel — país que, segundo o analista, já ocupa dois terços do território do enclave palestino.
Sant’Anna também ressaltou que Trump estaria “extremamente frustrado e irritado” com Netanyahu, na percepção de que foi arrastado para o que chamou de “armadilha” da guerra no Golfo Pérsico.
Os detalhes do plano, conforme vazaram, preveem que a polícia do Hamas entregaria suas armas, o grupo colocaria foguetes, mísseis e drones sob custódia do Comitê Palestino e, por fim, os militantes entregariam suas armas pessoais — tudo condicionado à retirada total de Israel da Faixa de Gaza e à criação do Estado Palestino.
“Mas todos sabemos que nada disso vai acontecer”, concluiu o analista.
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