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Terça-feira, 07 de Julho de 2026

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Análise: Hamas entrega governo em Gaza como parte de plano de Trump

Grupo palestino diz que vai transferir controle a comitê técnico, mas Israel acusa manobra para evitar desarmamento. A avaliação é do analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Análise: Hamas entrega governo em Gaza como parte de plano de Trump
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O Hamas anunciou que vai entregar o controle do governo da Faixa de Gaza ao Comitê Nacional Palestino, como parte do plano de pós-guerra proposto pelo presidente americano, Donald Trump. A ONU avaliou que a decisão pode representar um avanço no processo de paz no território, praticamente paralisado desde o início do cessar-fogo.

Israel, no entanto, reagiu com ceticismo à declaração, acusando o Hamas de criar mais uma manobra para evitar a entrega de suas armas. O impasse entre as partes permanece profundo, sem avanços concretos nem para a resolução definitiva do conflito nem para a reconstrução do território devastado. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o assunto.

O que propõe o anúncio do Hamas

O Comitê Nacional Palestino seria formado por técnicos palestinos sem nenhuma ligação com o Hamas ou com outros grupos políticos palestinos.

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Sua função seria organizar o governo da Faixa de Gaza de maneira técnica, atendendo às necessidades da população local. Sant’Anna destacou, porém, que, na prática, o grupo deve continuar detendo suas armas e exercendo poder sobre o território.

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O analista traçou um paralelo entre a situação em Gaza e a do Líbano. Segundo ele, a Faixa de Gaza caminha para um cenário em que um grupo armado aceita que outro grupo político administre o território, mas mantém o controle militar.

“Cria-se também o mesmo ciclo vicioso que existe hoje entre Israel e o Hezbollah”, disse Sant’Anna, explicando que o Hamas afirma não abandonar as armas enquanto Israel não se retirar, enquanto Israel justifica sua presença pela ameaça representada pelo Hamas.

De acordo com Sant’Anna, as forças israelenses controlam aproximadamente 60% do território da Faixa de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou não haver nenhum plano para a retirada israelense do local.

O analista apontou ainda que o Comitê Nacional para Administração de Gaza, supervisionado por um conselho ligado ao plano de Trump, não conseguiu entrar na Faixa de Gaza porque Israel impede a entrada dos tecnocratas árabes e palestinos designados para administrar o território.

Pressão sobre os Estados Unidos e situação humanitária

Na avaliação de Sant’Anna, ao abdicar formalmente da administração de Gaza, o Hamas busca criar um fato consumado e pressionar Israel por meio dos Estados Unidos. “O Hamas pretende, com isso, fazer com que os Estados Unidos pressionem Israel para que permita a entrada do Conselho de Administração de Gaza e também para que haja uma reconstrução da Faixa de Gaza”, analisou.

O governo dos Estados Unidos, por sua vez, sinalizou que vai prestar atenção nas ações do Hamas e não em suas promessas. A situação humanitária no território permanece crítica: mais de mil palestinos foram mortos desde o início da trégua, que, segundo Sant’Anna, “nem sequer está sendo respeitada”.

O analista ressaltou que, embora o ritmo de mortes tenha diminuído em relação ao período de bombardeios intensivos, “os palestinos continuam sofrendo, continuam sendo mortos e o seu território totalmente destruído”.

Sant’Anna observou que tanto o Hamas quanto o Fatah — facção adversária que foi expulsa da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 — perderam credibilidade junto à população palestina.

O Hamas, segundo ele, “perdeu muita aderência e muito apoio dos palestinos” após os ataques de 7 de outubro, que resultaram na morte de 1.200 israelenses e na captura de centenas de reféns, desencadeando a ofensiva israelense.

“Os palestinos não estão contentes com nenhuma dessas lideranças e por isso depositam uma certa fé nesse grupo de tecnocratas que está tentando entrar na Faixa de Gaza, mas Israel está impedindo por enquanto”, concluiu o analista.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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