Uma comitiva brasileira esteve na China na semana passada para participar de negociações comerciais e da Sial, uma das principais feiras de alimentos e bebidas do mundo. O balanço da viagem diplomática foi avaliado pela colunista do CNN Agro Lygia Pimentel, que destacou o momento favorável para a carne bovina brasileira no mercado asiático.
Segundo Lygia Pimentel, o saldo da viagem é positivo, especialmente porque a carne bovina brasileira segue competitiva no cenário internacional. “A gente segue com a carne bovina brasileira muito competitiva, então fica mais fácil apresentar o nosso produto”, afirmou a analista, que também apontou desafios de comunicação a serem superados.
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Mercado asiático em expansão
A analista destacou que a missão não se restringiu à China. Países como Vietnã, Indonésia e Filipinas também foram mencionados como destinos estratégicos, por apresentarem tendência de crescimento acelerado nos próximos anos e décadas.
“São países muito populosos, então acabam acarretando um perfil interessante de baixa agregação de valor, mas de uma possibilidade de incremento de volume num ritmo acelerado”, explicou Lygia Pimentel. Para ela, esses mercados certamente se tornarão clientes importantes em um futuro não muito distante.
Miúdos e subprodutos: oportunidade cultural
Outro ponto de destaque na análise foi o interesse asiático por miúdos e subprodutos da carne, itens que têm baixa aceitação no mercado interno brasileiro. Lygia Pimentel explicou que esse perfil de consumo está diretamente ligado à história econômica da região.
“Uma região que teve um desenvolvimento humano muito retardado […] ficou com uma economia mais retrancada por muitas décadas”, disse a analista, acrescentando que isso gerou o hábito de consumir todo tipo de proteína disponível, incluindo vísceras e subprodutos.
A analista citou o pé de galinha como exemplo emblemático: a China figura entre os maiores importadores desse produto do Brasil, enquanto o consumidor brasileiro demonstra resistência a esse tipo de alimento. No caso dos miúdos bovinos, Lygia Pimentel informou que as exportações foram ampliadas a partir do ano passado, quando países como Vietnã e Indonésia, que antes recebiam apenas miúdos, passaram a importar também carne desossada e carcaça.
“Esses clientes ampliam o poder de compra e eles querem acessar um outro tipo de produto diferente do que eles já têm lá culturalmente falando”, concluiu a analista.
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