A atenção do mercado financeiro se volta, nesta terça-feira (5), à publicação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).
A expectativa é de que o documento reforce o tom cauteloso adotado na decisão de juros da última semana diante de um cenário marcado por incertezas externas e pressões inflacionárias persistentes, segundo avaliação de economistas e instituições financeiras consultadas pelo CNN Money.
“Deve reiterar o tom do comunicado ao enfatizar a necessidade de ‘serenidade e cautela’ na condução da política monetária, em um ambiente de elevada incerteza associado ao conflito no Oriente Médio”, ressalta relatório da equipe de assessoramento econômico do Banco do Brasil.
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“O documento deve reforçar a possibilidade de ajustes no ‘ritmo e extensão’ da calibração da política monetária, preservando flexibilidade para que o Comitê reaja à evolução do cenário e à incorporação de novas informações sobre os impactos econômicos e inflacionários da guerra”, pontua.
Foi um detalhe sobre uma palavra o que mais chamou atenção do mercado no comunicado do Copom: a adição da palavra “extensão”.
Ao comunicar o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decisão que a levou ao patamar de 14,5% ao ano, o colegiado transmitiu ao mercado uma mensagem de que pode rever até quando vai o ciclo de corte de juros, o que significa o fim desse movimento antes do esperado e juros mais elevados por mais tempo que o previsto.
Não obstante, após o comunicado, diversas casas revisaram suas projeções para a Selic terminal. No boletim Focus, pelo qual o BC apura semanalmente as expectativas do mercado, a mediana para os juros ainda seguem iguais, mas as estimativas de inflação voltaram a subir, marcando o 8º reajuste consecutivo.
Antes de revisões mais profundas, parte dos investidores aguarda maiores esclarecimentos na ata sobre o que foi dito em relação à extensão do ciclo de cortes, como ressaltou Fernando Machado Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú, após a decisão do Copom.
A leitura predominante no mercado é de que a autoridade monetária segue em um processo de “calibragem”, mas com maior preocupação em relação ao ambiente inflacionário, como indica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
“Vale a ressalva que essa projeção pode ser revista com a divulgação da ata, que nos informará melhor quanto à função de reação do BC”, escreveu a analista ao revisar as estimativas para a Selic terminal da casa de 13% a 14% em 2026.
Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, destaca que a leitura da ata deve se concentrar em três pontos-chave.
“Primeiro, a avaliação mais qualitativa do Copom sobre o distanciamento das projeções de inflação em relação ao centro da meta e sobre indícios de retomada da atividade econômica observada nos últimos meses”, indica Vital.
“Segundo, eventuais sinais de preocupação com um processo adicional de desancoragem das expectativas de inflação.”
Por fim, ressalta que o mercado vai buscar entender se houve discussão sobre a possibilidade de interromper o processo de “calibração” da taxa de juros e, principalmente, como o Copom está avaliando a “extensão” do ciclo.
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