O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira (30), conforme esperado, mas sinalizou preocupações crescentes com o aumento da inflação, deixando os mercados na expectativa de que as taxas sejam elevadas várias vezes este ano, com um provável movimento inicial em junho.
A inflação anual saltou para 3% este mês, bem acima da meta de 2% do banco, e espera-se um aumento ainda maior, já que a guerra do Oriente Médio levou os preços do petróleo à máxima em quatro anos.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a decisão final de manter os juros foi unânime, mas declarou em uma coletiva de imprensa que um possível aumento foi discutido “longamente” pelas autoridades.
“Tomamos uma decisão fundamentada com base em informações ainda insuficientes”, apontou ela, acrescentando que a próxima reunião em junho será o “momento certo” para uma nova avaliação.
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“Há tanta incerteza que precisamos entender e rever isso em nossa próxima reunião de política monetária”, continuou ela. “Certamente estamos nos afastando de nosso cenário básico”, alertou ela sobre um cenário construído em torno de um fim cedo da guerra e um choque energético limitado.
Mais cedo, o BCE informou em comunicado que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o crescimento se intensificaram.
“Quanto mais a guerra continuar e quanto mais os preços da energia permanecerem altos, mais forte será o provável impacto sobre a inflação mais ampla e a economia”, destacou o banco.
Os mercados monetários precificavam cerca de 72 pontos-base de aumentos nos juros pelo BCE até o final do ano, abaixo dos 76 pontos registrados mais cedo na sessão.
O BCE disse que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem bem ancoradas, embora as expectativas de inflação em horizontes mais curtos tenham subido significativamente.
Enquanto isso, o núcleo da inflação, um componente fundamental examinado para avaliar a durabilidade do aumento dos preços, desacelerou de 2,3% para 2,2% em abril.
Autoridades do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) mantiveram os juros entre 3,5% e 3,75%, segundo decisão anunciada na quarta-feira (29).
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