Na noite de quarta-feira (30), o Ministério do Planejamento e Orçamento divulgou que os Ministérios das Cidades e da Saúde foram contemplados com a liberação de R$ 1,88 bilhão do Orçamento de 2026.
Para a pasta das Cidades, foram liberados R$ 1,46 bilhão, enquanto a Saúde recebeu R$ 41,9 milhões.
Esses novos limites de gastos estão detalhados em decreto publicado em uma edição extraordinária do Diário Oficial da União, que também apresenta os valores atualizados dos bloqueios e do contingenciamento por ministérios e órgãos. De acordo com a legislação, o decreto é publicado seis dias após o encaminhamento do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas ao Congresso Nacional, que orienta a execução orçamentária.
Conforme o decreto, dos R$ 1,881 bilhões liberados no dia 24, R$ 1,507 bilhões são oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquanto R$ 461,2 milhões resultam de emendas parlamentares.
Entretanto, os demais Poderes – Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública da União – sofreram um contingenciamento de R$ 86,2 milhões.
Os ministérios e órgãos federais têm prazo até 7 de outubro para detalhar os programas que receberão os recursos adicionais.
A última edição do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas revisou o volume bloqueado no Orçamento de 2026, que passou de R$ 17,937 bilhões para R$ 16,056 bilhões.
Emendas parlamentares
Mesmo com a liberação dos recursos, permanecem congelados R$ 3,304 bilhões em emendas parlamentares de bancada, recursos que são destinados por deputados e senadores a obras e projetos nos estados.
Para esses casos, a Lei Complementar 210/2024 será aplicada, tendo como objetivo regulamentar a execução das emendas parlamentares e aumentar a transparência sobre esses recursos.
Segundo a lei complementar, as emendas sofrerão bloqueios ou desbloqueios na mesma proporção que as demais despesas discricionárias, a fim de atender às metas fiscais. Contudo, o Congresso terá a prerrogativa de definir prioridades quando for necessário realizar bloqueios ou contingenciamentos, indicando quais programações serão preservadas e quais serão afetadas pelos cortes, dentro dos limites estabelecidos pelo governo.
Faseamento
Além dos bloqueios, o governo está implementando o faseamento de empenho, um mecanismo que não elimina os recursos, mas que restringe temporariamente a velocidade com que os órgãos podem assumir novos compromissos financeiros.
Esse controle de fluxo de caixa visa evitar que o governo empenhe (autorize gastos) recursos antes de confirmar a entrada das receitas, caso a arrecadação não atinja as expectativas.
A restrição de empenho está prevista em R$ 24,058 bilhões até novembro, com os valores sob controle reduzindo a zero em dezembro.
Ao contabilizar o total congelado (contingenciado e bloqueado) apenas para o Poder Executivo, a restrição chega a R$ 40,028 bilhões até novembro, caindo para R$ 15,969 bilhões em dezembro.
Tipos de despesa
O atual arcabouço fiscal classifica os recursos congelados em dois tipos: o contingenciamento e o bloqueio.
Embora ambas as medidas restrinjam a execução de despesas, suas ativações ocorrem em situações distintas:
Bloqueio: é instaurado quando há aumento ou risco de aumento das despesas obrigatórias e é necessário respeitar o limite de gastos do arcabouço fiscal.
Contingenciamento: ocorre quando a estimativa de receitas diminui, sendo necessário garantir o cumprimento da meta de resultado primário.
Ambos podem ser aplicados simultaneamente, como ocorreu no quarto bimestre de 2026.
No contexto atual, a redução do bloqueio foi parcialmente compensada por um novo contingenciamento, mantendo em R$ 16,1 bilhões o total de despesas sob contenção.
Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece um resultado primário nulo (sem déficit ou superávit), com uma margem de tolerância de até R$ 31 bilhões para mais ou para menos.
Neste ano, o governo federal não aplicou contingenciamento no Orçamento, pois prevê um déficit primário (economia de recursos para honrar os juros da dívida pública) de R$ 13,6 bilhões, excluindo precatórios e alguns gastos com saúde, educação e defesa. Se incluídos os gastos fora do marco fiscal, o resultado se tornará negativo em R$ 80,9 bilhões.
Para 2026, o marco fiscal limita o crescimento das despesas a 2,5% acima da inflação do ano anterior.
Detalhamento
Quanto à distribuição dos recursos desbloqueados, a divisão por tipo de despesa é a seguinte:
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