Estadão Rondônia - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Domingo, 27 de Setembro de 2026

Mundo

Cabelo não cresce de dentro para fora, mas é puxado para cima, diz estudo

Para entender como o cabelo cresce, pesquisadores usaram filmagens 3D em time lapse de folículos humanos e descobriram que o fio é puxado para cima

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Cabelo não cresce de dentro para fora, mas é puxado para cima, diz estudo
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O senso comum diz que todo crescimento ocorre de dentro para fora, empurrando o que está na frente. Pelo menos, é o que ocorre na natureza, com as unhas e a grama, por exemplo. Contudo, no caso do cabelo, esta lógica intuitiva está errada, descobriram pesquisadores da L’Oréal Research and Innovation (França) e da Queen Mary University of London.

Em um estudo publicado na revista Nature Communications, os autores revelaram que, na verdade, o cabelo humano é puxado para cima por um tubo de células que o envolve, chamado “bainha radicular externa” (ORS, na sigla do estudo em inglês).

  • Comer carboidrato no jantar leva ao pré-diabetes? Entenda

    Comer carboidrato no jantar leva ao pré-diabetes? Entenda

  • Mulheres vivem mais, mas sofrem mais doenças na terceira idade

    Mulheres vivem mais, mas sofrem mais doenças na terceira idade

  • Técnica brasileira reduz dor da hérnia de disco sem cirurgia; entenda

    Técnica brasileira reduz dor da hérnia de disco sem cirurgia; entenda

A estrutura, semelhante a um cabo elétrico com um fio de cobre ao centro, é um tubo cilíndrico feito de células vivas que reveste todo o folículo por dentro. Ela separa o “mundo do cabelo” do resto da pele (derme). No microscópio, ela se parece com uma grossa parede de “tijolos”, que são camadas de células empilhadas.

Publicidade

Leia Também:

A grande sacada do estudo foi perceber que essas células — até então consideradas como protetoras passivas — formam uma “rede” ativa porque estão conectadas umas às outras por filamentos de actina, o mesmo tipo de fibra que faz nossos músculos se contraírem.

Embora nunca observada em detalhes até agora, essa rede que envolve o cabelo age como um motor: ela se move para baixo, em direção à raiz, realizando um movimento em espiral (como um parafuso). Como está “grudada” nas camadas internas do cabelo, ela cria uma força de tração que puxa o miolo — o fio de cabelo — para cima.

Filmando a “dança” das células capilares

Em um comunicado, o primeiro autor da equipe da L’Oréal, Dr. Nicolas Tissot, explicou a microscopia multifotônica usada no estudo: “enquanto imagens estáticas fornecem apenas instantâneos isolados, a microscopia em time lapse 3D é indispensável para realmente desvendar os intrincados e dinâmicos processos biológicos dentro do folículo capilar”.

Ao filmar o movimento de células individuais, os cientistas notaram um movimento inesperado na bainha radicular externa. Em vez de ficarem paradas ou apenas crescerem, essas células se moviam para baixo, em um movimento espiral, em direção à base do bulbo capilar.

Essa “coreografia”, que seria invisível em análises estáticas, permitiu modelar as forças físicas locais, demonstrando que essa atividade mecânica descendente gera a tração necessária para puxar ativamente o fio em direção à superfície, exatamente na mesma região de onde se origina a força de tração ascendente.

Para testar sua hipótese de que o cabelo não depende apenas da multiplicação celular na base (mitose) para crescer, os autores removeram, literalmente, as dúvidas pela raiz: retiraram cirurgicamente a base do bulbo capilar, a matriz onde as células se dividem.

Para surpresa da equipe, o cabelo continuou a se mover para cima por mais de 24 horas. Embora, biologicamente, o “crescimento” (no sentido de produção de nova massa) tenha parado — pois a matriz celular foi removida —, o movimento de extrusão permaneceu. O fio continuou saindo do folículo como se estivesse crescendo.

Principais conclusões e aplicações em tratamentos capilares

resumo-gráfico-do-artigoOrganização do folículo piloso e configuração multifotônica para imageamento em tempo real de folículos pilosos humanos • Nicolas Tissot et al., Nature Communications, 2025/Divulgação

Para desvendar a origem dessa força, os cientistas aplicaram um inibidor da divisão celular em folículos íntegros. O resultado mostrou que a subida do fio desacelerou pouco, apenas 24%. Por outro lado, ao utilizarem um agente capaz de relaxar as fibras de actina — uma proteína que faz as células se moverem —, a velocidade despencou 82%.

Isso confirmou a tese: embora a divisão de células seja importante, o mecanismo de “puxar” exercido pela estrutura (ORS) ao redor do fio é o verdadeiro motor principal da extrusão do cabelo. Essa tração, correspondente ao movimento coordenado nas camadas externas do folículo, foi compatível com as velocidades observadas no movimento do cabelo.

A maioria dos estudos sobre cabelo é feita em camundongos, cuja biologia é diferente da nossa. Por ter sido realizado com tecidos humanos, obtidos de cirurgias plásticas, o estudo atual pode ser considerado um marco, tornando os resultados muito mais relevantes para a nossa saúde.

Para o líder do projeto pelo lado da L’Oréal, Thomas Bornschlögl, “isso revela que o crescimento do cabelo não é impulsionado apenas pela divisão celular – em vez disso, a bainha radicular externa puxa ativamente o cabelo para cima”. Esse entendimento de que o folículo depende de forças mecânicas abre novas oportunidades para pesquisar folículos “preguiçosos”.

A própria técnica desenvolvida na pesquisa — que permitiu manter folículos humanos vivos e funcionais fora do corpo (ex vivo) permitirá testar novos produtos e medicamentos com muito mais rapidez e precisão, e sem a necessidade de testes em animais.

 

FONTE/CRÉDITOS: jorgemarin
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!