A canadense Resouro Strategic Metals publicou, na última terça-feira (16), uma avaliação econômica preliminar para o projeto Tiros, de terras raras e titânio, em Minas Gerais.
O estudo prevê uma operação inicial com investimento de US$ 191,1 milhões, o equivalente a cerca de R$ 955 milhões, considerando o câmbio de R$ 5 usado pela própria companhia no documento.
O projeto Tiros fica em Minas Gerais e é apresentado pela empresa como um ativo de grande escala, com potencial para produção de terras raras e dióxido de titânio.
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A Resouro afirma que o projeto tem 1,4 bilhão de toneladas em recursos medidos e indicados, com teor médio de 12% de dióxido de titânio. O depósito também tem 4.000 ppm de óxidos de terras raras, ou 0,4% do material analisado. Dentro desse grupo, 1.100 ppm, ou 0,11%, correspondem às chamadas terras raras magnéticas, consideradas mais valiosas por serem usadas na produção de ímãs permanentes para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Apesar do tamanho do recurso mineral, a companhia propõe começar por uma operação menor, concentrada em uma área de alto teor.
O plano inicial prevê o processamento de 500 mil toneladas por ano durante 20 anos, com alimentação total de 9,5 milhões de toneladas de minério. Essa área representa menos de 1% do recurso medido e indicado já anunciado pela empresa.
O estudo indica que essa primeira fase teria teor médio de 26,3% de dióxido de titânio e 10.832 ppm de óxidos de terras raras, o equivalente a cerca de 1,08% do material analisado. Isso significa que a Resouro pretende começar o projeto por uma área mais rica do depósito, com concentração de terras raras bem acima da média geral do recurso.
A operação seria a céu aberto, com mineralização próxima da superfície e, segundo a empresa, com lavra considerada simples, sem necessidade inicial de desmonte complexo.
A Resouro também afirma que o desenho ambiental considera o uso de rejeitos empilhados a seco.
A avaliação econômica preliminar, conhecida pela sigla em inglês PEA, é uma etapa inicial dos estudos de um projeto mineral.
Ela serve para estimar, ainda de forma conceitual, se um empreendimento pode ser economicamente viável. O PEA não equivale a um estudo de viabilidade definitivo, não declara reservas minerais e ainda precisa ser sucedido por fases mais avançadas, como estudos de pré-viabilidade e viabilidade.
No caso da Resouro, o próprio documento ressalta que a avaliação é preliminar e tem precisão estimada de mais ou menos 50%. Ou seja, o projeto ainda está distante da produção comercial e dependerá de novas etapas de engenharia, testes metalúrgicos, licenciamento ambiental, financiamento e acordos comerciais.
Mesmo com essas ressalvas, os números apresentados pela companhia são fortes. O PEA aponta valor presente líquido pós-impostos de US$ 714,9 milhões, com taxa de desconto de 8%, e taxa interna de retorno de 44,2%. Antes dos impostos, o valor presente líquido sobe para US$ 1,138 bilhão, com retorno de 62,7%. O prazo de retorno do investimento, no cenário pós-impostos, foi estimado em 1,9 ano.
A estratégia da Resouro é desenvolver uma operação com duas fontes de receita: uma ligada ao dióxido de titânio e outra às terras raras. O processamento previsto resultaria em concentrados de TiO₂ e em um carbonato misto de terras raras.
Segundo a empresa, os próximos passos incluem novas sondagens nas áreas previstas para a cava inicial, geração de amostras adicionais, novos testes metalúrgicos, otimização da rota de processamento, estudos ambientais, engajamento com comunidades e avanço do licenciamento.
A Resouro é uma empresa incorporada no Canadá e listada nas bolsas da Austrália e do Canadá. No Brasil, além do projeto Tiros, a companhia também tem o projeto Novo Mundo, de ouro. O ativo de terras raras e titânio, porém, é hoje o principal projeto estratégico da empresa no país.
O anúncio ocorre em meio ao aumento da disputa global por minerais críticos, especialmente terras raras, usadas em cadeias como energia limpa, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa. O Brasil tem sido observado por empresas estrangeiras e governos ocidentais como possível fornecedor alternativo em cadeias hoje concentradas na China.
Apesar dos números positivos, o projeto ainda está em fase inicial.
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