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Sabado, 27 de Junho de 2026

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Capela reabre em SP após descoberta de ossos revelar passado de escravidão

Espaço no bairro da Liberdade era utilizado como cemitério para escravizados e indígenas no século XVIII, local é considerado uma das construções religiosas mais antigas da cidade

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Capela reabre em SP após descoberta de ossos revelar passado de escravidão
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A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos — considerada uma das construções religiosas mais antigas e históricas de São Paulo —, será reaberta neste sábado (27).

Localizada no bairro da Liberdade, zona Central da capital paulista, o local fazia parte do primeiro cemitério a céu aberto da cidade, voltado para escravizados, indígenas, indigentes e condenados à morte no antigo Largo da Forca em 1779.

O evento de reabertura contará com uma missa às 10h e também celebrará os 247 anos da construção. O restauro teve início em abril de 2025 e foram investidos mais de R$3,2 milhões para modernização, acessibilidade, preservação e revitalização do espaço histórico.

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Com as obras, a capela recebeu iluminação adequada, a fachada foi refeita, o velário foi reconstruído, os maciços em taipa de pilão que apresentavam erosão severa foram consolidados, os bancos foram restaurados, assim como o telhado e a sacristia e também foi construído um local para o sepultamento dos remanescentes humanos encontrados na pesquisa arqueológica.

Um relógio que foi perdido na década de 1950 também será reintroduzido. Além disso, o local agora terá acessibilidade geral como mapa e piso tátil, áudio e libras.

• Divulgação

Em 2024, a causa recebeu R$ 2 milhões por meio do edital do Proac, da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo e do Ministério da Cultura, pela Carollo Arquitetura e Restauro, responsável pela obra, em parceria com a Unamca, porém novos recursos foram necessários.

Já em 2025, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, liberou R$1,2 milhão à Mitra Arquidiocesana de São Paulo, proprietária e administradora da capela.

• Processo de arqueologia

União dos Amigos Capela dos Aflitos

O dia 27 de junho também celebra o aniversário da União dos Amigos Capela dos Aflitos (Unamca), criada em 2018, com o objetivo de preservar o local e sua história.

“A reforma da Capela foi muito requisitada pelos munícipes, principalmente da comunidade negra, para ter um espaço contando parte de sua história no bairro da Liberdade. É uma grande realização poder entregar este espaço para a cidade”, diz Totó Parente, Secretário Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Todo o processo de revitalização do espaço foi marcado por descobertas arqueológicas, como cinco a dez pessoas sepultadas, o que confirma o uso histórico da área como parte do Cemitério dos Aflitos, datado de 1775 e ativo até meados do século 19.

• Carollo Arquitetura e Restauro

Lá eram sepultadas pessoas indígenas, africanas e seus descendentes. As execuções dessas pessoas ocorriam no Campo da Forca, que hoje é a Praça da Liberdade, e aqueles cujos corpos não eram mutilados acabavam sepultados em torno da capela.

Por anos, a Capela dos Aflitos recebeu várias intervenções, por exemplo, em 1779, quando foi inaugurada, o espaço era menor e mais tarde expandiu. Em 1890, passou por uma grande reforma, assim como em 1960. Em 1994, o restauro foi necessário após o incêndio que não se sabe o motivo, mas acredita-se ter sido causado pela parte elétrica e a restauração que começou em 1995 não foi concluída.

Trecho do relatório enviado ao Iphan, em 2018 • Iphan

Com o tempo, a situação da capela se agravou, até que em 2018, a construção de um prédio ao lado causou rachaduras nas paredes e fez o telhado ceder, o que trouxe infiltrações. No mesmo ano, a Unamca surgiu para cuidar da zeladoria da capela e requisitar os recursos necessários para a restauração. A obra do prédio ao lado foi interrompida, dando início a um novo processo de ressignificação da área.

Na capela também será construído o Memorial dos Aflitos, para preservar a história no bairro. E em novembro deste ano, no mês da consciência negra, está previsto o lançamento de um livro sobre as escavações arqueológicas do local e sobre educação patrimonial.

FONTE/CRÉDITOS: helenabarra
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