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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

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“Caso ela diga não”: PF investiga trend que incita violência contra mulher

A pedido da Polícia Federal, perfis e vídeos que divulgaram esses conteúdos foram removidos das redes

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
“Caso ela diga não”: PF investiga trend que incita violência contra mulher
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A PF (Polícia Federal) abriu um inquérito para investigar a trend “Caso ela diga não”, que viralizou nas redes sociais e incita práticas de violência contra a mulher.

A apuração começou após denúncias da trend que viralizou no TikTok no mês do Dia Internacional da Mulher com homens simulando reações violentas diante de uma negativa em situações românticas. Ao supostamente escutarem um “não”, eles desferem socos, simulam dar facadas ou até tiros.

A diretoria de Crimes Cibernéticos da PF, que conduz a investigação, já solicitou que alguns perfis que divulgaram esses conteúdos fossem derrubados e o material retirado do ar. A plataforma em que os vídeos foram divulgados já realizou a remoção.

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Em paralelo, nesta terça-feira (10), está previsto na pauta da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados a votação de um requerimento para a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigar a publicação viral. A proposta é do deputado federal Pedro Campos (PSB).

A instauração do procedimento investigativo é uma sinalização da PF pelo combate à disseminação de conteúdos no ambiente digital que incentivam crimes contra a mulher, principalmente no mês da mulher.

A Polícia Federal também pediu a preservação dos dados para incluir no inquérito. As informações reunidas serão analisadas pelos investigadores.

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“Caso ela diga não”

Apesar da remoção de perfis e publicações da trend que incita a violência de gênero, alguns materiais ainda estão ativos nas redes.

Publicações com a frase “treinando caso ela diga não”, ou com variações, começam com gestos românticos, como o homem se ajoelhando para pedir uma mulher em casamento. Mas, após a encenação de uma rejeição, o autor do vídeo simula chutes, socos e até agressões com armas brancas contra a mulher.

A repercussão gerou uma resposta imediata na internet. Diversos influenciadores fizeram posts condenando a trend. A influencer Hana Khalil fez um post afirmando que os vídeos normalizam a violência contra mulher e a criminalização da misoginia.

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Um post compartilhado por hana khalil (@khalilhana)

Além da investigação da Polícia Federal já em andamento, o requerimento do deputado Pedro Campos, que ainda será votado, também pede que plataformas de redes sociais sejam oficiadas para que forneçam informações sobre o alcance das publicações, dados de autoria e medidas administrativas adotadas.

A investigação dessa trend vem em meio ao crescente índice de violência contra a mulher no Brasil. O país registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década.

Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos. Os números mostram, então, que quatro mulheres foram assassinadas por dia no ano passado no Brasil.

A CNN Brasil entrou em contato com o TikTok sobre as publicações e aguarda retorno.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Saldanha
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