A aprovação do texto-base da PEC que trata do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, na quarta-feira (27), foi interpretada pelo Centrão como uma demonstração de força de Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo apuração da analista de Política Larissa Rodrigues, integrantes do bloco avaliam que Hugo saiu fortalecido do processo, tendo sido o responsável pela criação da comissão especial que conduziu a matéria. Fontes ouvidas pela analista apontaram que a aprovação da PEC representava uma prova de fogo para Hugo.
“Havia uma pressão e até críticas ao presidente da Câmara se ele teria força suficiente”, afirmou Larissa ao Live CNN desta quinta-feira (28). Ela relembrou o motim de agosto de 2025.
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No episódio, parlamentares da oposição invadiram a mesa diretora e chegaram a sentar na cadeira do presidente da Casa, em tentativa de forçar a votação do projeto da dosimetria.
A ocasião gerou questionamentos sobre a capacidade de Hugo de controlar a Casa e chegou-se a cogitar que o Centrão poderia indicar outro nome para concorrer à presidência da Câmara nas eleições previstas para fevereiro do próximo ano.
Acordo com o Planalto
A aprovação do texto da PEC da maneira como foi acordada com Lula foi considerada decisiva. Hugo havia firmado um acordo com o presidente, mas ainda precisava garantir o alinhamento com os demais parlamentares.
“Ao entregar o texto como veio acordado com o Planalto, cumprir sua palavra tanto com os líderes quanto com o presidente Lula, o entendimento agora é que ele passou nessa prova e ficou fortalecido“, destacou Larissa.
Com isso, Hugo também angariou o apoio do PT e dos partidos de centro-esquerda para sua eventual candidatura à reeleição. De acordo com Larissa, o acordo inclui a expectativa de que, caso Lula seja reeleito nas eleições de outubro, o governo declare apoio à reeleição de Hugo para mais dois anos à frente da Câmara.
Rusgas com a direita
Apesar do fortalecimento junto ao centro e à centro-esquerda, a movimentação também gerou atritos com o centro mais à direita e, principalmente, com o PL.
Larissa Rodrigues destacou que, caso a oposição vença as eleições de outubro e chegue ao comando do Palácio do Planalto, Hugo pode não contar com o apoio deles a partir de 2027.
Ainda assim, segundo a analista, o entendimento predominante é que ele se consolida como candidato natural à presidência da Câmara e ninguém tiraria dele o direito de concorrer nas eleições para a presidência da Casa.
Helio Beltrão avalia aprovação do fim da escala 6x1 | CNN NOVO DIA
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