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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026

Política

Cientistas expressam preocupação com possível interferência nas eleições

Entidades temem que uma intervenção estrangeira comprometa 'a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores'.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Cientistas expressam preocupação com possível interferência nas eleições
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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestaram sua inquietação em relação à possibilidade de interferência externa no processo eleitoral do Brasil, especialmente vinda dos Estados Unidos.

As organizações expressaram que existe um temor de que essa interferência possa prejudicar “a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores”.

O comunicado divulgado ressalta a importância da independência e autonomia do povo brasileiro em suas decisões políticas.

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“A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais”, afirmaram as entidades.

No final de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório que indica o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado também destaca a tendência de aumento da pressão estadunidense sobre o Brasil.

ABC e SBPC solicitaram um esforço conjunto das instituições republicanas, da comunidade científica e acadêmica, além da sociedade civil, para garantir uma eleição sem ingerência internacional.

“Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.”

As entidades também apoiaram a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que apresentou às Nações Unidas uma carta alertando sobre os riscos de interferência estadunidense nas eleições brasileiras e solicitando reconhecimento internacional imediato do resultado, independentemente de quem vença.

No discurso proferido na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tratou do tema. Ele defendeu a soberania dos países e mencionou tentativas de influência externa em processos políticos nacionais, principalmente na América Latina e no Caribe.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou, ao mencionar contextos recentes na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

As eleições estão agendadas para o dia 4 de outubro. Neste dia, os eleitores escolherão candidatos para os cargos de deputado estadual/distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

Confira a nota completa da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC):

Soberania e democracia: o Brasil decide seu futuro

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) expressam sua preocupação diante dos alertas sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro de 2026, em especial as informações sobre possíveis pressões provenientes dos Estados Unidos que possam comprometer a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.

Em um contexto como esse, ABC e SBPC consideram relevante a atuação do Instituto Vladimir Herzog ao levar às Nações Unidas suas preocupações acerca de possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro, solicitando atenção internacional para a defesa da soberania, do princípio da não intervenção e do respeito ao resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independente de quem seja o vencedor.

A escolha dos governantes brasileiros é uma prerrogativa exclusiva do povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve tentar condicionar essa decisão, seja através de pressões políticas ou econômicas, seja por manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.

Com o mundo caracterizado pela circulação transnacional de informações, dados e tecnologias, a proteção da democracia requer atenção também às novas formas de interferência. Ações dessa natureza devem ser identificadas e investigadas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.

A defesa da democracia também é uma responsabilidade da comunidade científica. Ela depende do acesso ao conhecimento, da liberdade de pensamento, da integridade da informação e da oportunidade de que todos possam formar suas convicções sem manipulações ou condicionamentos indevidos. Soberania política, soberania científica e soberania digital são aspectos cada vez mais interligados na capacidade de uma nação decidir seu próprio futuro.

ABC e SBPC conclamam as instituições republicanas, a comunidade científica e acadêmica, as organizações da sociedade civil, os meios de comunicação, as plataformas digitais e toda a sociedade brasileira a se manterem atentas na defesa da integridade do processo democrático. Cada um deve contribuir, em suas respectivas funções, para um ambiente público pautado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.

A ABC e SBPC reafirmam, assim, princípios que não pertencem a qualquer candidatura, partido ou governo: a soberania nacional e a autodeterminação; eleições livres e íntegras; a não intervenção externa; o respeito à Constituição e às instituições democráticas; a integridade do ambiente informacional; e o reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, qualquer que seja a escolha soberana das urnas.

Defender a democracia brasileira é defender o direito do Brasil de decidir, de forma livre e sem interferências externas, seu futuro.

Rio de Janeiro, São Paulo, 21 de setembro de 2026.

HELENA BONCIANI NADER
Presidente da ABC

FRANCILENE PROCÓPIO GARCIA
Presidente da SBPC

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