Estadão Rondônia - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026

Mundo

Citi: Juros devem demorar a cair, mas empresariado é resiliente

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, André Cury destacou impacto das altas taxas do país no mercado de capitais e nas decisões de investimento, além de apontar oportunidades

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Citi: Juros devem demorar a cair, mas empresariado é resiliente
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Na sequência do quinto corte de juros consecutivo realizado pelo Banco Central, a perspectiva é de que a taxa básica Selic ainda demore para deixar o patamar elevado em que se encontra, segundo André Cury, novo CEO do Citi no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo apontou “a inflação mais elevada” como o “maior desafio atual” não só do país, mas do mundo.

Aqui, porém, há uma peculiaridade: os juros do BC rodam em dois dígitos há mais de quatro anos.

Publicidade

Leia Também:

chart visualization

O Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez seguida, no último dia 16, colocando-a no patamar de 13,75% ao ano. Ainda assim, o Brasil segue com a maior taxa de juros reais – quando se desconta a inflação do valor nominal – global.

Desse modo, Cury avaliou que o processo de normalização das taxas deve demorar mais do que o esperado anteriormente.

“Aqui no Brasil, a taxa de juros que era esperada no começo de ano ter uma redução mais acelerada, ela acabou ficando mais alta do que era o esperado. […] Infelizmente, a taxa de juros vai demorar um pouco mais para ser reduzida”, ressaltou o presidente do Citi no país, mas não deixando de enxergar um futuro “muito brilhante” para o mercado nacional.

Até janeiro deste ano, o Sistema Expectativas de Mercado do BC apurava que a mediana dos agentes econômicos via a Selic em pouco mais de 12% no final do ano. As estimativas começaram a deteriorar em torno de abril e maio, com os temores inflacionários em torno do choque energético causado pela guerra dos Estados Unidos com o Irã.

Até o último Copom, o mercado esperava que este poderia ter sido o último corte de juros do ano. Após digerir a decisão, analistas revisaram seus cálculos e o boletim Focus do BC passou a projetar a possibilidade de mais uma redução até o final de 2026.

Leia Mais

  • BC indica preocupação com oferta de crédito "agressivo e predatório"

    BC indica preocupação com oferta de crédito "agressivo e predatório"

  • Governo reforça que vai cumprir metas, mas vê desafio com alta do petróleo

    Governo reforça que vai cumprir metas, mas vê desafio com alta do petróleo

  • Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela 1ª vez em 19 anos

    Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela 1ª vez em 19 anos

Impacto sobre investimentos

Ao apontar que “o futuro ainda é muito brilhante”, Cury observou que “as companhias estão se preparando para esses cenários, olhando a oportunidade que vem e pensando no longo prazo”.

“O empresariado brasileiro, ele é muito resiliente, muito sofisticado e já passou por inúmeros desafios como esse”, disse o executivo ao CNN Money.

O executivo vê no mercado “muitas oportunidades” – que passam desde a queda dos juros até o agronegócio -, mas é para a os pilares da indústria digital – à luz da inteligência artificial -, o setor de minerais críticos e de infraestrutura que ele aponta quando fala em “potencial e oportunidades”.

“Então, esses três negócios principais são o futuro do país. Mas nós atuamos em todas as cadeias dos negócios no Brasil”, indicou.

Mas isso não significa que o cenário não esteja mais coberto por obstáculos. O presidente do Citi no Brasil destacou, sobretudo, como os juros altos atrasam “a potencialidade” do mercado de capitais do país.

Com os juros exigindo o pagamento de prêmios maiores pelas empresas, o dinheiro mais caro acaba levando empresas a postergarem decisões de investimento, descreveu Cury.

Porém, o alto-executivo do Citi não descartou oportunidades, uma vez que tudo pode rapidamente mudar se o cenário da política monetária e as curvas de juros longas se flexibilizarem.

“O mercado de capitais antecipa muito os movimentos. Mesmo na renda variável, no IPO [oferta pública inicial] e no follow-on – que é onde há um impacto maior por conta das mudanças de fluxos para a renda fixa -, vejo uma oportunidade no curto-médio prazo, não no curtíssimo prazo, mas no curto-médio prazo”, sinalizou.

“Infraestrutura, […] data centers e inteligência artificial têm uma demanda gigantesca por capital. Então, tem vários mercados que nós vemos uma aceleração do ritmo de atividade, e aí que tem a oportunidade para os bancos e para todo o ecossistema”, pontuou.

E o Cury enfatizou como o interesse não se limita ao investidor doméstico.

“O banco conecta aqui os negócios locais com os investidores internacionais e eu vejo muita gente falando positivamente sobre o Brasil, olhando para o longo prazo, olhando para o crescimento, olhando para alavancar esses recursos naturais que o país tem. Estive essa semana, na Semana do Clima, na Assembleia Geral da ONU [Organização das Nações Unidas] e o que eu mais ouvi sobre o Brasil foi sobre oportunidades, potenciais, minerais críticos, energia, como eu falei, a parte alimentar”, relatou.

“Todos os dias eu recebo ligações aqui dos presidentes do Citi nos outros 93 países me pedindo para encontrar um cliente asiático, um cliente do Oriente Médio, um cliente americano que tem interesse no Brasil, que quer olhar um ativo que está em processo de M&A ou que quer estabelecer uma nova participação no Brasil, um novo escritório no Brasil”, finalizou.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

 

FONTE/CRÉDITOS: joaonakamura
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!