A influenciadora Thais Reolon, de Rondônia, divulgou um vídeo nas redes sociais relatando que sofreu uma reação alérgica após podar um cacto-candelabro e entrar em contato com substâncias viscosas da planta. Especialistas apontam que, sempre que forem manuseadas plantas do gênero Euphorbia, é recomendado utilizar óculos de proteção e luvas.
O médico oftalmologista Dr. Gustavo Bonfadini explica que, na verdade, o chamado “cacto-candelabro” não é um cacto verdadeiro, mas uma planta do gênero Euphorbia. Quando os galhos são cortados ou quebrados, ela libera uma seiva branca e leitosa, conhecida como látex, que é altamente irritante.
“Se essa seiva atingir os olhos, pode provocar uma queimadura química da superfície ocular, causando intensa inflamação da córnea e da conjuntiva. O potencial tóxico dessa seiva é bem documentado na literatura médica”, destaca o médico.
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O que acontece no olho após o contato com essa seiva?
Dr. Gustavo aponta que os principais sintomas costumam surgir imediatamente e incluem dor intensa, ardor, lacrimejamento, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, fotofobia e visão embaçada.
Em alguns casos, a lesão evolui nas primeiras 24 a 48 horas, com perda de células do epitélio da córnea, edema corneano e inflamação intraocular (uveíte anterior).
“Apesar de muitos pacientes apresentarem boa recuperação quando tratados precocemente, casos graves podem evoluir com úlcera de córnea, infecção secundária e, raramente, comprometimento permanente da visão”, explica.
Qual deve ser a primeira atitude quando ocorre esse acidente?
O médico oftalmologista afirma que a primeira medida a ser tomada após a irritação é irrigar imediatamente o olho com grande quantidade de água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 a 20 minutos. Quanto mais rápida e abundante for essa lavagem, menor tende a ser a concentração da substância tóxica na superfície ocular.
Em seguida, a pessoa deve procurar atendimento oftalmológico com urgência. Não é recomendado esfregar os olhos nem utilizar colírios por conta própria, especialmente anestésicos ou medicamentos caseiros, pois isso pode agravar a lesão.
Para o tratamento, o oftalmologista pode indicar lubrificantes, antibióticos tópicos para prevenir infecções, colírios cicloplégicos para aliviar a dor e, em situações específicas, corticoides tópicos para controlar a inflamação, sempre com acompanhamento rigoroso.
Como prevenir esse tipo de acidente?
A principal forma de prevenção é utilizar sempre óculos de proteção e luvas ao podar ou manusear plantas do gênero Euphorbia, além de evitar tocar os olhos durante o manuseio da planta e lavar bem as mãos ao terminar.
O que é o cacto-candelabro?
A professora de Biologia do Foco Medicina, Carol Braga, destaca que o cacto-candelabro é o nome popular da Euphorbia ingens. Apesar da aparência muito semelhante à de um cacto, ela não é um cacto verdadeiro. A planta pertence à família das euforbiáceas e recebe esse nome porque cresce com vários ramos eretos, lembrando um candelabro.
O professor e doutor em Biodiversidade Allan Pscheidt complementa a explicação ao afirmar que o cacto-candelabro é “irmão” de uma planta muito comum no Brasil, utilizada como cerca-viva e conhecida pela maioria da população como coroa-de-cristo. Segundo ele, ele está no grupo das plantas parentes da mandioca, que são plantas ricas em látex.
Segundo Carol Braga, o principal risco da planta está no látex branco que ela libera quando é cortada, quebrada ou sofre algum ferimento.
Se ele parece um cacto, por que é venenoso?
A professora de Biologia do Foco Medicina, Carol Braga, aponta que a semelhança com os cactos é resultado de uma adaptação ao ambiente seco, chamada evolução convergente. Os cactos verdadeiros geralmente não produzem esse látex tóxico. Já as eufórbias desenvolveram essa substância como forma de defesa contra animais herbívoros e insetos.
Como diferenciar o cacto-candelabro de um cacto verdadeiro?
“Os cactos verdadeiros possuem estruturas chamadas aréolas, de onde surgem espinhos e flores. Nas eufórbias essas estruturas não existem. Outro sinal importante é a presença do látex branco quando a planta é cortada”, explica Carol Braga.
Origem africana
O professor e doutor em Biodiversidade Allan Pscheidt explica que o cacto-candelabro recebe esse nome porque é uma planta que cresce em áreas áridas, é nativa da África e foi trazida para o Brasil devido ao seu apelo paisagístico.
Segundo ele, as folhas foram modificadas ao longo da evolução, fazendo com que a planta cresça por meio de um caule extremamente esverdeado, com aparência semelhante à de um cacto e crescimento sempre ereto em grupos, característica que lembra um candelabro de velas.
Ele cresce naturalmente no Nordeste do Brasil, mas está presente em praticamente todo o território nacional por ser amplamente utilizado em projetos de jardinagem.
Em áreas mais úmidas, é uma planta de crescimento lento e discreto. Já em regiões áridas, forma pequenos arbustos bastante carregados, com flores e frutos que chamam a atenção.
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