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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026

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Conflito EUA-Irã virou uma guerra econômica, diz especialista

Especialista analisa o conflito que se transformou em guerra econômica, com foco no Estreito de Hormuz e nas sanções americanas ao Irã

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Conflito EUA-Irã virou uma guerra econômica, diz especialista
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A guerra entre os Estados Unidos e o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), contrariando as previsões iniciais de que o conflito se encerraria em poucas semanas. Nenhum dos objetivos declarados pelos Estados Unidos foi alcançado até o momento, e o conflito segue sem perspectiva de encerramento, tendo se transformado em uma “guerra econômica”. Ao Hora H, Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional, avaliou o cenário atual e os fatores que tornam a resolução do impasse cada vez mais complexa.

De guerra militar a guerra econômica

Segundo Priscila Caneparo, o conflito passou por uma transformação significativa ao longo dos últimos meses. “De fato, acabou por se repercutir em uma pressão muito mais econômica do que estratégica militar”, afirmou.

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“A guerra virou de uma guerra propriamente dita militar para uma guerra econômica. O Irã sabe muito bem disso — acabou se revelando uma guerra híbrida em relação justamente ao controle da economia mundial.”

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A especialista destacou que, antes do conflito, 20% de toda a produção mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz. Com o impasse nas negociações, os mediadores intensificam esforços para reabrir essa rota crucial.

Pressionado pelo Qatar, o Irã concordou em apresentar uma lista de condições para reestabelecer o tráfego no estreito.

Sanções e pressão econômica

Com o impasse nas negociações, os Estados Unidos anunciaram novas sanções com o objetivo de sufocar a economia iraniana. O Irã condenou o embargo e classificou a medida como terrorismo, pedindo que os países se abstenham de aplicá-las. Donald Trump, por sua vez, ameaçou punir quem apoiar o regime iraniano.

Caneparo avaliou como pouco viável que os Estados Unidos efetivamente sobretaxem países como China e Índia, dois dos maiores compradores de petróleo iraniano.

“Eu acho muito inviável, eu acho muito pouco palpável essa perspectiva de que Donald Trump vai colocar a cabo essas últimas falas em relação a essa sobretaxação”, disse.

A especialista apontou ainda a existência de navios sem bandeira e com GPS desligado que continuam abastecendo principalmente os mercados indiano e chinês.

Regime iraniano fortalecido e incerteza nas negociações

Caneparo avaliou que o regime iraniano saiu fortalecido do conflito, o que torna ainda mais difícil para os Estados Unidos encerrar a guerra de forma satisfatória. “Esse regime iraniano se fortaleceu e, por consequência, é muito mais difícil sair com algo honroso dessa conjuntura militar”, afirmou.

A analista também ressaltou a imprevisibilidade das negociações, marcadas por declarações contraditórias de ambos os lados: no início da semana, Donald Trump sinalizava estar próximo de um acordo; já na quinta-feira, voltava a adotar um tom belicoso, chegando a ameaçar destruir a civilização iraniana.

Do lado iraniano, o comportamento nas negociações também oscila: ora o governo afirma não estar engajado em tratativas, ora sinaliza estar próximo de sentar à mesa. “Com Donald Trump é muito difícil porque a gente tem justamente um vai e volta em relação ao que ele fala”, observou Caneparo.

Reconfiguração geopolítica no Oriente Médio

Além das questões econômicas, a especialista chamou atenção para um possível reordenamento das alianças regionais.

Segundo ela, a credibilidade dos Estados Unidos junto aos países do Oriente Médio está sendo colocada à prova, uma vez que bases militares americanas nesses territórios não têm conseguido garantir proteção efetiva diante dos avanços iranianos.

Nesse contexto, Caneparo mencionou a formação de uma possível aliança islâmica envolvendo Paquistão, Arábia Saudita e Turquia — comparável, em sua estrutura, à OTAN.

“Será que de fato outros países, como Emirados Árabes Unidos e Jordânia, não entrarão nessa nova logística de proteção regional?”, questionou a especialista.

Para ela, caso esse movimento se consolide, o resultado seria “uma virada paradigmática em relação à questão geoestratégica no Oriente Médio”, com uma nova configuração de relações entre os países da região.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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