A Marcopolo, fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, registrou ampliação de seu market share para 48,3%, mas viu suas margens serem pressionadas por uma combinação de fatores internos e externos.
Em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (5), André Armaganijan, CEO da empresa, apontou a rentablidade construída ao longo dos anos como trunfo da companhia.
“A rentabilidade é algo que a gente construiu no decorrer dos anos”, afirmou.
Segundo ele, o aumento do market share se deu, em grande parte, pelo crescimento nas vendas de micro-ônibus, um segmento com margem menor em comparação aos ônibus rodoviários pesados.
“Quando a gente aumenta o volume de vendas de micro-ônibus, isso sim ajuda no aumento de participação de mercado, mas é um produto que tem uma rentabilidade menor”, explicou.
Outro fator determinante foi a precificação antecipada de produtos destinados a programas governamentais, como o Caminho da Escola e um programa do Ministério da Saúde, que juntos representaram 1,5 mil ônibus.
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Após a definição dos preços, o setor foi impactado pelo aumento dos custos do diesel e de materiais derivados do petróleo, corroendo as margens da companhia.
Além disso, as operações internacionais da empresa — que possui fábricas na Argentina, Colômbia, México, África do Sul, China e Austrália — também apresentaram resultados menores, especialmente no México e na Argentina.
Para o segundo semestre, Armaganijan projeta uma recomposição gradual das margens, apoiada em dois movimentos principais: a melhora no mix de produtos, com maior participação do segmento rodoviário, e a recuperação das operações internacionais.
“A gente sabe que existe uma sazonalidade no setor. O setor rodoviário tem normalmente um final de ano bastante movimentado, período de férias, onde as pessoas retornam às suas casas”, disse o executivo.
No segmento urbano, Armaganijan citou a aprovação do marco legal do transporte público no Congresso como um avanço relevante.
De acordo com ele, a nova legislação traz mais previsibilidade e segurança jurídica ao setor, além de estabelecer uma distinção mais clara entre a tarifa pública — paga pelo passageiro — e a tarifa técnica, recebida pelo operador.
“Tudo isso cria um entorno mais positivo para se criar um programa mais sustentado também no transporte urbano”, avaliou.
Questionado sobre as inovações que poderão transformar o setor até 2030, Armaganijan apontou a tecnologia embarcada nos veículos e o uso de inteligência artificial nos processos internos como os principais vetores de mudança.
Segundo ele, assim como ocorreu com os automóveis, os ônibus tendem a se tornar sistemas cada vez mais conectados, oferecendo mais informações ao operador e maior conveniência ao passageiro.
“A nossa visão para o setor é que realmente a tecnologia vai ser extremamente importante em duas pontas”, afirmou.
Internamente, a empresa conta com um time de mais de 500 engenheiros dedicados ao desenvolvimento de novos produtos.
Armaganijan destacou que a aplicação da inteligência artificial pode simplificar processos complexos de produção e aumentar a agilidade e a competitividade da Marcopolo.
A empresa também anunciou o lançamento de novas soluções na feira Latibus, em São Paulo, prevista para o período de 11 a 13 de agosto.
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