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Terça-feira, 21 de Julho de 2026

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Copa com 64 seleções traria desafios logísticos e financeiros; veja

Presidentes das confederações europeia e asiática questionam a proposta de ampliar o torneio

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Copa com 64 seleções traria desafios logísticos e financeiros; veja
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A primeira Copa do Mundo com 48 seleções terminou há pouco tempo, mas o presidente da Fifa, Gianni Infantino, já reconheceu a possibilidade de o principal torneio do futebol crescer ainda mais no futuro, em uma mudança que pode alterar profundamente a economia do esporte.

Em entrevista à televisão suíça durante a Copa do Mundo, Infantino afirmou que um Mundial com 64 seleções está entre as ideias que poderão ser analisadas após o fim da competição, reacendendo o debate sobre até que ponto o maior evento do futebol pode continuar se expandindo.

As implicações logísticas de uma nova ampliação são evidentes.

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Um torneio maior exigiria mais estádios, hotéis, sistemas de transporte e, muito provavelmente, mais tempo de duração.

No entanto, os impactos financeiros podem ser ainda mais relevantes. Ao facilitar a classificação de muitas das principais seleções do mundo, uma Copa com 64 equipes poderia reduzir o valor comercial das eliminatórias continentais e aumentar a importância do torneio organizado pela própria Fifa.

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Se as emissoras passarem a atribuir menos valor às campanhas classificatórias, as seis confederações continentais do futebol poderão se tornar ainda mais dependentes da distribuição de receitas da Fifa, concentrando mais influência financeira — e política — nas mãos da entidade máxima do futebol.

“Não acho que seja uma boa ideia para a Copa do Mundo e também não é uma boa ideia para as nossas eliminatórias. Portanto, eu não apoio essa proposta”, afirmou no ano passado o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin. A posição da entidade europeia permanece a mesma.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, também se manifestou contra a ideia e questionou, ainda no ano passado, até onde iria o processo de expansão do torneio.

A Fifa não respondeu aos pedidos de comentário sobre o assunto.

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Ao defender a discussão, Infantino argumentou que a Copa deve representar o mundo inteiro, e não apenas Europa e América do Sul.

“É importante que, ao organizar uma Copa do Mundo, você faça isso para todo o mundo — não apenas para a Europa e a América do Sul. Se os países menores não tiverem a oportunidade de disputar a Copa, faltarão incentivos para continuarem evoluindo”, afirmou.

Desafios em outra dimensão

A Copa do Mundo de 2026, disputada em Canadá, México e Estados Unidos, foi a primeira desde 1998 a abandonar o formato com 32 seleções, passando a reunir 48 países em 104 partidas distribuídas ao longo de mais de cinco semanas.

Mantendo a mesma estrutura básica — grupos de quatro seleções seguidos por um mata-mata com 32 equipes — uma Copa com 64 participantes teria 128 jogos: 24 a mais do que em 2026 e o dobro das partidas realizadas no antigo formato com 32 seleções.

A menos que a Fifa comprima o calendário ou realize mais partidas simultaneamente, o torneio precisaria de aproximadamente mais uma semana de duração, ampliando uma competição que já ocupa mais de cinco semanas.

A Copa de 2030 será disputada majoritariamente por Espanha, Portugal e Marrocos, enquanto Uruguai, Argentina e Paraguai receberão uma partida cada na rodada de abertura para celebrar o centenário do Mundial.

Receber 64 seleções em seis países já representaria um enorme desafio organizacional. Fazer isso em apenas um país seria ainda mais complexo.

A Arábia Saudita, sede única da Copa de 2034, já enfrenta dúvidas sobre o calendário. O Ramadã deverá começar em meados de novembro daquele ano, dificultando a repetição da janela de novembro e dezembro utilizada na Copa de 2022, disputada no Catar, e podendo obrigar uma nova reorganização inédita do calendário internacional do futebol.

Uma Copa com 64 seleções ampliaria essas dificuldades, exigindo mais estádios, centros de treinamento, hotéis, capacidade de transporte e voluntários, além de aumentar a pressão sobre a infraestrutura de um país que ainda desenvolve seu setor de turismo.

Os sauditas apresentaram um plano com 15 estádios para receber a atual Copa de 48 seleções, sendo oito em Riad, quatro em Jidá e os demais em Khobar, Neom e Abha. As obras de construção e reforma já estão em andamento visando também à Copa da Ásia de 2027.

Pressão sobre o calendário

A ampliação também aumentaria a pressão sobre um calendário internacional já considerado congestionado e afetaria ainda mais os campeonatos nacionais, muitos dos quais adotam a temporada europeia, de agosto a maio.

A J-League, do Japão, está prestes a iniciar seu primeiro calendário de agosto a maio, enquanto a Major League Soccer (MLS), dos Estados Unidos, pretende fazer a mesma mudança a partir do próximo ano.

Com isso, uma futura Copa disputada no inverno do hemisfério norte deixaria de afetar principalmente as grandes ligas europeias, como ocorreu em 2022, e passaria a interromper um número cada vez maior de competições ao redor do mundo.

Disputar uma Copa do Mundo também representa um alto custo para as federações nacionais, inclusive as mais ricas. A Federação Francesa de Futebol previa gastar 24,5 milhões de euros (cerca de R$ 142 milhões) na Copa deste ano.

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O presidente da entidade, Philippe Diallo, afirmou que a seleção francesa provavelmente precisaria alcançar, ao menos, as semifinais para evitar prejuízo financeiro.

Durante o Congresso da Fifa, realizado em abril, em Vancouver, Diallo defendeu que a entidade aumente o apoio financeiro destinado às seleções participantes.

Se um Mundial com 48 equipes já pressiona as finanças das federações, um torneio ainda mais longo e com 64 seleções poderá elevar esses custos.

Também cresceriam as preocupações com o desgaste físico dos jogadores, já que mais partidas significariam uma carga ainda maior para atletas de elite.

Ao mesmo tempo em que daria oportunidade para mais países disputarem o principal torneio do futebol mundial, uma Copa com 64 seleções reacenderia o debate sobre equilíbrio técnico, duração da competição, custos para os torcedores e sobre o risco de o Mundial perder parte da exclusividade que historicamente sustenta seu prestígio.

Se a proposta avançará além das discussões dependerá, em parte, da avaliação que a Fifa fará sobre o sucesso da primeira Copa do Mundo disputada com 48 seleções.

FONTE/CRÉDITOS: anasantos
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