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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

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Criminosos movimentaram quase R$ 1 trilhão com criptos em 2025, diz estudo

Nova pesquisa aponta amadurecimento do cenário de ameaças por meio da lavagem de dinheiro no setor

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Criminosos movimentaram quase R$ 1 trilhão com criptos em 2025, diz estudo
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Um relatório inédito aponta que o crime organizado movimentou quase R$ 1 trilhão de reais ilegalmente por meio de criptomoedas em todo o mundo em 2025. O número representa um aumento de 161% em relação ao ano anterior.

No estudo da Chainalysis, líder global em inteligência e investigação em blockchain, divulgado nesta quinta-feira (18), a empresa afirma que os dados representam um amadurecimento do cenário de ameaças por meio da lavagem de dinheiro. 

“A atividade criminosa on-chain se profissionalizou marcadamente desde 2020, com organizações ilícitas agora construindo infraestrutura compartilhada dedicada, e atores estatais entrando nesse ecossistema em escala sem precedentes“, diz um trecho da análise.

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O valor total recebido por endereços de criptomoedas ilícitas atingiu US$ 154 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em 2025, acima dos US$ 59 bilhões (Cerca de R$ 300 bilhões) em 2024 e apenas US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) em 2020.

O relatório mostra que os atores por trás das transações ilegais se tornaram significativamente mais sofisticados. Como já mostrou a CNN Brasil, facções criminosas como PCC (Primeiro Comando da Capital) e Tren de Aragua já utilizam o mercado de criptoativos para lavar seus recursos ilícitos. 

Segundo a Chainalysis, quando se fala especificamente de lavagem de dinheiro, as três categorias que dominam o panorama global aparecem no Brasil:

  • Redes de Lavagem de Dinheiro Operadas em Língua Chinesa (CMLNs): organizações profissionalizadas que oferecem lavagem de dinheiro como serviço — principalmente para o tráfico de drogas, operações de fraude e, cada vez mais, atores estatais. Representam cerca de 20% do ecossistema total de lavagem ilícita on-chain, uma participação que cresceu consistentemente desde 2021;
  • Crescimento de evasão de sanções: evasão de sanções conduzida por estados atingiu aproximadamente US$ 104 bilhões em 2025, um aumento de 694% em relação ao ano anterior, à medida que estados-nação e indivíduos designados recorrem cada vez mais às criptomoedas para contornar restrições financeiras internacionais;
  • Tráfico de drogas: por meio de mercados da darknet e atividade de vendedores de drogas, permanece como uma característica persistente e estável do cenário de criptomoedas ilícitas ano após ano — e uma com ressonância regional particular na América Latina.

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O que isso significa para o Brasil?

O Brasil é o maior mercado de criptomoedas da América Latina e um dos mais dinâmicos do mundo. Segundo a pesquisa, entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu um valor estimado de US$ 318 bilhões (R$ 1,64 trilhão) em valor on-chain, cerca de um terço de todo o valor em criptomoedas recebido em toda a América Latina.

O relatório ressalta a preocupação com a convergência das três principais ameaças globais no setor no país. “Em 2023, os fluxos ilícitos eram dominados por uma ampla atividade ilícita. Em 2024 e 2025, esse quadro mudou de forma material”, afirma o relatório, destacando quatro pontos principais.

  • O Brasil como corredor de trânsito de drogas quanto como mercado de destino é uma rota-chave do tráfico de cocaína na América do Sul. A companhia reitera o uso comprovado de criptomoedas nas operações financeiras de facções brasileiras;
  • A partir das CMLNs, exchanges brasileiras (corretoras de cripto) estão conectadas à mesma infraestrutura global de lavagem de dinheiro operada por grupos criminosos em todo o mundo;
  • Fluxos relacionados à Rússia, incluindo entidades sujeitas a sanções internacionais, tornaram-se um componente mais visível da composição, particularmente em 2024 e 2025;
  • Serviços de garantia associados a fraudes e ao crime organizado também apareceram nos dados para o Brasil em 2025, sugerindo que o mercado local está sendo integrado a ecossistemas de serviços criminais mais amplos.
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    Segundo o estudo, as informações refletem a natureza global do crime com criptomoedas. “Redes que operam através de fronteiras direcionam fundos por quaisquer rampas de entrada e saída que ofereçam acesso, e o mercado grande e crescente do Brasil o torna um alvo atraente”. 

    A convergência em território brasileiro preocupa em um momento crucial, de acordo com a Chainalysis. Um novo regime de autorização para empresas de criptomoedas entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com obrigações de reporte regulatório em vigor desde 4 de maio e um prazo de licenciamento em 29 de outubro.

    Para a empresa, os padrões de fluxos ilícitos descritos pelo relatório serão o primeiro teste real desse regime para o Banco Central, como supervisor, e para as exchanges, custodiantes e intermediários, que agora devem detectar e interromper exatamente esse tipo de atividade.

    FONTE/CRÉDITOS: Rafael Saldanha
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