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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

Social

Dificuldades de Deslocamento Levam 40% das Mulheres a Abandonar Empregos

Pesquisas revelam que a falta de segurança e custos elevados são obstáculos para os trajetos.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Dificuldades de Deslocamento Levam 40% das Mulheres a Abandonar Empregos
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No Brasil, a cada dez mulheres, quatro (39%) já deixaram de aceitar uma vaga de emprego ou uma oportunidade profissional devido a problemas de deslocamento. Os principais fatores apontados incluem a falta de segurança, os custos associados ao transporte, o tempo necessário para as viagens e a localização dos destinos, de acordo com a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, realizada pela Indique, consultoria de diversidade e inclusão racial, em conjunto com a organização feminista Think Eva e a 99.

Além disso, mais da metade (54%) das entrevistadas também não compareceram a compromissos de trabalho ou recusaram convites relacionados por esses mesmos motivos. Um em cada cinco (21%) já decidiu desistir de oportunidades de capacitação, como cursos de graduação.

O estudo ressalta que as mulheres frequentemente abrem mão não apenas de conquistas e experiências nos âmbitos profissional e educacional, mas também de momentos sociais e de bem-estar. Oito em cada dez (80%) faltaram a encontros, eventos ou atividades, com um terço delas (33%) renunciando a atividades físicas ou de lazer, 32% a visitas a amigos e familiares, e 69% a saídas noturnas.

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As entrevistas com 564 mulheres de várias idades, classes sociais e regiões do Brasil revelaram que a insegurança e a violência são os principais obstáculos, citados por 32% das participantes. Em segundo lugar, a falta de recursos financeiros foi mencionada por 22%, seguida pela inadequação do transporte público (15%) e pela distância dos locais que precisam acessar (14%).

A sensação de insegurança leva a maioria das mulheres a evitar certos bairros ou regiões urbanas (87%) e a planejarem seus horários (73%). Para garantir sua segurança, 63% já deixaram de usar algum tipo de transporte, e 60% optaram por caminhos alternativos até seu destino.

Uma das mulheres que participou da pesquisa relatou que a conquista de sua graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não pôde ser considerada uma vitória, pois foi incapaz de frequentar as aulas por não conseguir chegar a tempo ao campus, já que havia parado de utilizar ônibus após várias ocorrências de assalto.

Outro aspecto importante destacado pela pesquisa é a preocupação com o assédio sexual. O levantamento revelou que 89% das mulheres relataram ter sido vítimas de algum tipo de assédio em veículos, com destaque para os ônibus (68,8%), deslocamentos a pé (60,8%) e metrôs ou trens (50,2%). Embora a bicicleta e a moto por aplicativo sejam vistas como opções que oferecem maior segurança, 6,6% e 4,1% das entrevistadas as mencionaram, respectivamente.

Automóveis

Os carros de aplicativo são frequentemente escolhidos por oito em cada dez mulheres que participaram da pesquisa (80%), mesmo que 67% delas, que vivem em áreas periféricas ou com deficiências estruturais, considerem essa opção mais cara.

Conforme os dados, 68% das entrevistadas informaram que não possuem veículo próprio e 52% passam mais de uma hora por dia em deslocamentos. Quase metade (45%) acredita que as condições de mobilidade em seus bairros são piores do que no centro da cidade, enquanto 33% classificam o transporte público de suas localidades como ruim ou péssimo.

Outro achado relevante é que a renda realmente influencia o acesso a diferentes formas de transporte. Oito em cada dez (80,3%) mulheres de baixa renda utilizam ônibus com regularidade, enquanto esse número é de 52,1% entre as de alta renda. Por outro lado, 40,6% das mulheres de alta renda utilizam carro próprio regularmente, cifra que cai para apenas 8,3% entre as de baixa renda.

Mulheres como cuidadoras

A função de cuidadora, historicamente atribuída às mulheres, também estabelece rotinas específicas que elas seguem. Segundo o estudo, 54% das entrevistadas afirmaram que realizam esse tipo de trabalho sozinhas, em contraste com 38% que o dividem com outros.

Esses dados ajudam a explicar por que muitos trajetos das mulheres extrapolam a simples casa-trabalho e vice-versa, envolvendo paradas ao longo do percurso. Aqueles que planejam sozinhas as rotas relacionadas ao cuidado, como levar crianças à escola, idas a consultas médicas, farmácias e compras, representam 43%, sendo que 44% escolhem o meio de transporte com base nessas responsabilidades.

Os carros de aplicativo são requisitados por 53% das entrevistadas quando transportam dependentes, que podem ser filhos, idosos ou pessoas com deficiência.

Sobre a coleta de dados

A coleta de dados quantitativa ocorreu entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, abrangendo 564 mulheres entre 18 e 60 anos, com foco nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Manaus e Belém, além de outras 73 cidades brasileiras.

As organizações também buscaram contribuições de especialistas em temas como planejamento urbano, direito à cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e mobilidade ativa.

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