O ex-presidente e integrante do grupo político Renovação e Transparência Duílio Monteiro Alves renunciou ao título de sócio remido do clube. A decisão acontece logo após a expulsão de Andrés Sanchez do quadro associativo.
Em um longo pronunciamento publicado nas redes sociais, o agora ex-dirigente relembra sua trajetória dentro do clube – Duílio é filho de Adilson Monteiro Alves, o presidente da Democracia Corintiana -, e diz que a sua saída é fruto de uma busca por culpados.
“Não foram poucos os que apontaram que minha expulsão, assim como a de outros, seria a salvação do Corinthians. Amanhã, no entanto, o sol nascerá, e todos terão de se fazer uma pergunta: quem será o próximo que deveremos expulsar? Ou vocês acham que acabou?”, escreveu.
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Duílio também aponta a saúde mental como um dos motivos pela decisão, que, na sua opinião, não resolve a conturbada busca por culapados.
“É hora, porém, de buscar alguma paz. A guerra política do Corinthians deixou muita gente cega. O clube se tornou ingovernável. E, em vez de debater regras, responsabilidades e mecanismos de controle, preferiram criminalizar práticas próprias da vida de uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, como renegociação de dívidas e o uso de cartão corporativo, no meu caso, com o valor total utilizado nos 3 anos de gestão com média inferior a R$ 35,00 por dia e com uso estritamente institucional, ou seja, transformaram atos administrativos ordinários em narrativas criminais, sem o devido contexto técnico e contábil”, diz o texto.
Vale lembrar que Duílio, assim como Andrés, também é investigado pelo uso do cartão corporativo, assim como Andrés, para despesas pessoais.
“A verdade é que o Corinthians entrou na era da guerra nuclear. Em vez de unir o clube, algo que tentei fazer, não apenas com palavras, mas de forma efetiva, nomeando inclusive opositores como diretores, o que se vê hoje é um campo minado político, jurídico, midiático e institucional, do qual não pretendo mais fazer parte”.
Leia o comunicado na íntegra:
Muitos vão comemorar este que considero meu último gesto como sócio do Corinthians.
Em breve, porém, as pessoas racionais perceberão que não há nada a festejar.
Minha renúncia ao título de sócio remido e ao meu espaço como conselheiro vitalício poderá soar como sonho realizado para muitos. Para alguns, talvez até como música.
Não foram poucos os que apontaram que minha expulsão, assim como a de outros, seria a salvação do Corinthians.
Amanhã, no entanto, o sol nascerá, e todos terão de se fazer uma pergunta: quem será o próximo que deveremos expulsar? Ou vocês acham que acabou?
O Corinthians foi o clube em que me criei. Fui presenteado com o título de sócio remido pelo meu avô, Orlando Monteiro Alves, ainda na maternidade, no dia do meu nascimento e respirei os ares da Democracia Corinthiana graças ao meu pai, Adilson Monteiro Alves. Ganhei Paulistas, Brasileiro, Libertadores, Mundial e Recopa, como diretor e fui o presidente que me comprometi a ser. Dediquei muitos anos à vida política do clube, mas jamais imaginei que o custo pessoal, na saúde mental e na física seriam tão caros, a mim e a minha família. É hora, porém, de buscar alguma paz. A guerra política do Corinthians deixou muita gente cega. O clube se tornou ingovernável. E, em vez de debater regras, responsabilidades e mecanismos de controle, preferiram criminalizar práticas próprias da vida de uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, como renegociação de dívidas e o uso de cartão corporativo, no meu caso, com o valor total utilizado nos 3 anos de gestão com média inferior a R$ 35,00 por dia e com uso estritamente institucional, ou seja, transformaram atos administrativos ordinários em narrativas criminais, sem o devido contexto técnico e contábil.
A verdade é que o Corinthians entrou na era da guerra nuclear. Em vez de unir o clube, algo que tentei fazer, não apenas com palavras, mas de forma efetiva, nomeando inclusive opositores como diretores, o que se vê hoje é um campo minado político, jurídico, midiático e institucional, do qual não pretendo mais fazer parte.
Por tudo isso, o modelo associativo do Corinthians já não tem mais condições de conduzir um gigante de 35 milhões de torcedores. Multiplicam-se leituras viciadas e casuísticas de um estatuto velho, que fazem de tudo para não deixar que seja modernizado. A ordem agora é expulsar todo e qualquer opositor antes da próxima eleição.
A pergunta que fica, para quem presta atenção, já não é apenas se o Fiel Torcedor terá ou não direito a voto. A pergunta é mais dura: o Corinthians será uma SAF com um dono sem voto ou será um clube controlado por interventores jurídicos, também sem voto?
Com minha saída, talvez muita gente finalmente abra os olhos para os três grandes problemas realmente preocupantes do presente, que tantos fingem não enxergar:
1. A reforma tributária tornará a vida dos clubes associativos mais cara do que a das SAFS.
2. A dívida que estava controlada em 2023, com três superávits sucessivos nos anos da minha gestão, foi catapultada em mais R$ 1 bilhão nos anos Augusto/Osmar, com aprovação de gente que agora deseja se candidatar.
3. E a agência de fair play financeiro implementada pela CBF prevê penas como transfer ban e até rebaixamento para clubes que contratam sem pagar ainda mais para aqueles que se comportam como se não precisassem pagar.
Minha retirada do quadro associativo não resolve nada disso. Mas ao menos comprova que não tenho vaidade, estou desapegado e disposto a ver o Corinthians discutir, de fato, o seu futuro.
Em 2023, eu saí da presidência do Corinthians pela porta da frente, com todas as contas aprovadas, inclusive no último ano, com o balanço fechado e apresentado por opositores ferrenhos.
Fizeram da minha vida um inferno, e eu caminho por ele, com a certeza de que tudo vai ser esclarecido.
Hoje, tenho dúvidas se os próximos presidentes conseguirão cumprir três anos de mandato. Muito menos com três superávits ano a ano, recorde de faturamento e controle responsável da dívida, como prometi e fiz.
Não me arrependo de nada. E me defenderei na Justiça.
O resto, eu deixo para o tempo.
Portanto, renuncio ao meu título de sócio remido, entrego meu lugar como conselheiro vitalício e membro do CORI e me retiro, de forma definitiva, do quadro de sócios do Parque São Jorge, para que o Corinthians possa, enfim, assim espero, cuidar do presente e do futuro.
Vai Corinthians. Sempre.
Duilio Monteiro Alves, 28 de maio de 2026.
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