Os preços médios do diesel e da gasolina no Brasil registraram queda na semana encerrada em 18 de abril, de acordo com o balanço elaborado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A analista de economia e âncora do CNN Money, Débora Oliveira, explicou as motivações por trás desses dados ao Live CNN.
Segundo Oliveira, existe um tempo diferente de repasse nos preços para cada tipo de combustível. A gasolina e o diesel possuem uma dinâmica própria em toda a cadeia logística até chegarem aos consumidores através dos distribuidores.
“É uma cadeia um pouco mais detalhada, mais acompanhada, hoje tem uma transparência maior – e olha que ainda é necessária muita operação de checagem, inclusive como o governo tem feito, para ver se os repasses estão sendo realmente feitos”, explicou a analista.
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O alívio nos preços desses combustíveis decorre de medidas governamentais que estão entrando em vigor e têm um efeito mais rápido para chegar ao consumidor final em comparação com o gás de cozinha, por exemplo.
“O gás de cozinha tem contratos diferenciados, você trabalha com essa compra futura. O preço que você compra hoje, você vai vender amanhã, porque, no final, você tem um estoque maior”, esclareceu Débora, destacando que o mercado de gás opera com uma dinâmica diferente nos contratos, o que explica o descasamento nos preços que se observa atualmente.
Preocupação com cenário futuro
A analista manifestou preocupação com o cenário futuro, uma vez que as medidas implementadas pelo governo em parceria com alguns governos estaduais têm prazo determinado, enquanto o conflito internacional que afeta os preços dos combustíveis ainda não foi resolvido. “Ainda existe muita insegurança do como que a gente vai continuar caminhando com essa questão dos preços”, afirmou.
Débora Oliveira também destacou que, assim como ocorre com a gasolina e o diesel, o Brasil depende de importação de aproximadamente 30% do gás de cozinha para suprir a demanda interna. Ela mencionou ainda que é comum que distribuidores repassem aumentos de preços antecipadamente, antes mesmo de qualquer mudança prática nos valores, como estratégia para proteger estoques ou buscar capitalização.
Outro combustível que tem apresentado forte alta é o querosene de aviação, com aumento de 54% no preço, o que já está impactando o valor das passagens aéreas. Segundo especialista consultado pela analista, o querosene representa mais de 30% das despesas totais de uma empresa aérea, tornando “praticamente impossível” que esse aumento não afete as tarifas. O problema não é exclusivo do Brasil, mas mundial, e a expectativa é de que os preços das passagens continuem subindo.
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