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Quarta-feira, 06 de Maio de 2026

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Entrada estrangeira na B3 despenca 88% desde recorde em janeiro

Dados em abril mostram terceiro mês seguido de perda de fôlego do dinheiro internacional na bolsa brasileira em meio às incertezas com a guerra no Irã e retomada dos investidores a Wall Street

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Entrada estrangeira na B3 despenca 88% desde recorde em janeiro
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A entrada dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira recuou 87,9% desde o recorde alcançado em janeiro, segundo dados do fechamento de abril compilados pela consultoria Elos Ayta.

O saldo líquido de abril encerrou positivo em R$ 3,18 bilhões, o terceiro mês seguido de recuo desde o pico, quando a entrada foi de R$ 26,31 bilhões – o melhor resultado da série histórica iniciada em 2022.

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No acumulado do ano, a B3 registra resultado positivo de R$ 56,54 bilhões, mais do que o dobro do total do ano passado, de R$ 25,47 bilhões.

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A perda de fôlego reflete os temores dos mercados sobre a imprevisibilidade para resolução dos conflitos no Oriente Médio, que entram no terceiro mês, após uma visão mais otimista no início dos ataques de um desfecho rápido, segundo especialistas ouvidos pelo CNN Money.

Além da crise geopolítica, o retorno dos investidores a Wall Street – com sucessivos recordes nas bolsas de Nova York -, após um movimento global de busca por diversificação em mercados emergentes, também contribuiu para o freio do apetite de estrangeiros no mercado brasileiro.

Apesar de o quadro mostrar desaceleração do fluxo internacional, o Brasil segue sendo visto como destaque entre as opções emergentes, sobretudo pela conjuntura da oferta de commodities e neutralidade global.

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Freio na reta final

Os dados da Elos Ayta mostram maior força na saída do capital estrangeiro nos últimos dias de abril, com a saída de R$ 7,88 bilhões entre os dias 22 e 30 de abril.

Eivar Riveiro, CEO da consultoria, afirma que o movimento sugere uma decisão coordenada de grandes alocadores em uma curta janela de tempo.

“O ponto mais crítico não está no número fechado, mas na trajetória intramensal”, diz

A perda de força observada ao longo de 2026 acompanha o aumento das tensões globais, canalizadas nos ataques coordenados dos EUA e Israel ao Irã, no fim de fevereiro.

Apesar do choque inicial, a maior parte do mercado apostava em um desfecho breve para o conflito, crença em parte baseada nos discursos de Donald Trump de que a ação norte-americana seria de poucas semanas.

A resistência de Teerã – representada pelo controle e fechamento do Estreito de Ormuz – e as críticas internacionais, inclusive de parceiros militares dos EUA na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), deram outros rumos para o conflito, aumentando as incertezas do tamanho e duração dos efeitos na economia global.

Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos, afirma que a saída é normal, em um movimento de realização de lucros e busca por ativos mais resilientes em tempos de incertezas, como títulos norte-americanos e o dólar.

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A retomada dos investimentos no Brasil, diz ele, deve ocorrer quando o mercado enxergar no horizonte sinais mais claros do desfecho do conflito e os seus efeitos na economia global.

“Ninguém sabe como está o andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã”, ressalta. “Em algum momento deve ter uma solução definitiva, e a tendência é que nesse momento os mercados emergentes, em especial o Brasil, voltem a ser atrativos para o investidor estrangeiro”.

Além do conflito no Oriente Médio, Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, cita a recuperação das bolsas dos EUA – que voltaram a bater recordes, impulsionada em parte pelos resultados positivos de big techs, como Microsoft, Alphabet e Meta.

A retomada dos destaques do setor de tecnologia nas bolsas de Wall Street sinalizam uma reversão do sentimento de cautela visto no fim do ano passado após temores de formação de bolha no mercado de IA.

Saadia também aponta para uma nova percepção dos investidores com o Fed (Federal Reserve), que tem se mostrado mais duro, apesar dos constantes ataques de Trump e os pedidos para a queda forçada dos juros.

“Alguns membros que víamos como aliados de Trump reforçaram o compromisso com a inflação, inclusive dizendo que a probabilidade de alta de juros era maior do que a queda”, diz.

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FONTE/CRÉDITOS: gabrielbosa
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