O pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, acusando a China de interferir eleitoralmente nos Estados Unidos foi analisado pelo professor de Relações Internacionais Carlos Gustavo Poggio ao WW.
Para o especialista, o discurso tem um objetivo claro: preparar o terreno político e jurídico para uma possível interferência nas eleições de meio de mandato norte-americanas.
Segundo Poggio, o conteúdo do discurso em si não tem relevância substantiva. “As coisas que o Donald Trump falou e colocou, entre aspas, evidências, isso aí são coisas requentadas e não tem absolutamente nada que indique que haja uma fraude sistemática nas eleições norte-americanas a ponto do Donald Trump ter ganho as eleições de 2020”, afirmou o especialista.
Leia Mais
-
Sistema eleitoral dos EUA é "catastroficamente deficiente", diz Trump
-
Waack: Lula e oposição, cada um de um jeito, apostam em Trump
-
Análise: Lula aproveita G7 para amarrar discurso eleitoral
Lei de emergência como instrumento de poder
Poggio destacou que, nos meios trumpistas, circula há muito tempo a ideia de acionar uma lei de emergência nacional dos anos 1970.
A lógica seria a seguinte: ao alegar interferência estrangeira, Trump justificaria a promulgação de uma lei de emergência — um mecanismo que, segundo o especialista, o republicano aprecia por concentrar poder no Executivo.
“Donald Trump gosta muito de usar leis de emergência, porque isso dá poder ao Executivo, que é a forma que ele enxerga o poder e unifica muito o poder dentro do Executivo”, explicou Poggio.
“Modelo húngaro” nos Estados Unidos
Para o professor, Trump tem em mente o chamado “modelo húngaro” — um processo gradual de erosão das instituições democráticas por meio de instrumentos legais.
“Ele não quer dar um golpe clássico nos Estados Unidos, não precisa disso, mas é um processo gradual de erosão das instituições democráticas, de utilização de meios legais para sabotar o processo eleitoral, para conseguir permanecer no poder”, analisou Poggio.
O especialista classificou o pronunciamento como mais uma peça em uma série de ações já realizadas por Trump nesse sentido. Na avaliação de Poggio, a única voz a insistir na narrativa de fraude eleitoral sistemática é o próprio Trump, acompanhado de alguns de seus apoiadores mais próximos.
O professor concluiu que as eleições de meio de mandato prometem ser “umas das mais delicadas da história dos Estados Unidos”.
Comentários: