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Sabado, 09 de Maio de 2026

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EUA recebem da Venezuela 13,5 kg de urânio enriquecido

Material era usado em reator que estava parado desde 1991

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
EUA recebem da Venezuela 13,5 kg de urânio enriquecido
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Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido concretizaram a transferência de 13,5 quilos de urânio enriquecido da Venezuela para território americano, em uma operação supervisionada pelo OIEA (Organismo Internacional de Energia Atômica), para proteger o material e evitar que se torne um risco “se cair em mãos erradas”, informou o próprio OIEA em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (8).

O urânio estava em um reator do IVIC (Instituto Venezuelano de Investigações Científicas), que funcionou por três décadas até ser desativado em 1991, disse o OIEA.

Depois disso, o governo da Venezuela afirmou ter solicitado ajuda ao OIEA para retirar o combustível nuclear usado do país, e os Estados Unidos aceitaram recebê-lo.

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Trata-se de urânio enriquecido a 20% do isótopo U-235, um grau superior ao utilizado para gerar energia elétrica, mas comumente usado para fins científicos.

Está abaixo do nível necessário para uma arma nuclear, que supera os 80%, embora continue sendo um elemento radioativo muito perigoso.

No final de abril, de acordo com o OIEA, um comboio com proteção militar partiu das instalações do IVIC em direção a Puerto Cabello, onde um contêiner com o urânio foi colocado em um navio do Reino Unido que o levou aos Estados Unidos.

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A transferência para uma instalação do Departamento de Energia dos EUA, localizada na Carolina do Sul, foi concluída nos primeiros dias deste mês.

O OIEA afirmou em seu comunicado que a operação foi realizada sob rigorosa vigilância, “devido ao fato de que este material nuclear pode representar risco de proliferação ou ameaça à segurança se cair em mãos erradas”.

“Durante seu período de operação, o reator venezuelano utilizou combustível nuclear que continha urânio proveniente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Após esta missão, não resta mais combustível no reator”, afirmou.

Entre as partes envolvidas, o governo da Venezuela foi o primeiro a divulgar a operação.

Em comunicado divulgado na quinta-feira pelo chanceler Yván Gil, Caracas afirmou que durante anos “comunicou reiteradamente ao OIEA a necessidade de retirar as fontes e materiais em desuso que ainda permaneciam no país”.

Acrescentou que a operação militar de 3 de janeiro, na qual os Estados Unidos capturaram o então presidente deposto Nicolás Maduro, “aumentou objetivamente o nível de risco e confirmou a urgência de executar uma operação que a Venezuela vinha solicitando há muito tempo”.

A Venezuela também assegurou que a transferência do urânio foi realizada em conformidade com os padrões de segurança e representa seu compromisso com os tratados internacionais de não proliferação nuclear.

O governo dos Estados Unidos, por sua vez, afirmou nesta sexta-feira que a operação é “uma vitória para os Estados Unidos, para a Venezuela e para o mundo”.

“A remoção segura de todo o urânio enriquecido da Venezuela envia outro sinal ao mundo de uma Venezuela restaurada e renovada. Graças à liderança decisiva do presidente (Donald) Trump, as equipes concluíram em meses o que normalmente levaria anos. A operação urgente demonstrou capacidades únicas de não proliferação e estreita cooperação com parceiros internacionais”, disse a Embaixada dos EUA na Venezuela em comunicado.

A transferência do urânio se soma à aproximação recente entre Venezuela e Estados Unidos após a captura de Maduro, que está detido em Nova York e é acusado de crimes relacionados a narcoterrorismo, narcotráfico e armas, acusações que ele nega.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tem criticado repetidamente a detenção de Maduro, mas também afirma estar disposta a manter uma relação de cooperação e respeito com os Estados Unidos.

Por sua vez, Trump disse que Rodríguez está fazendo “um excelente trabalho” à frente da Venezuela e que seu país busca oportunidades de investimento em setores como energia e mineração.

No início de março, ambos os países anunciaram o restabelecimento de suas relações diplomáticas e consulares, que estavam rompidas desde 2019.

FONTE/CRÉDITOS: Luciana Caczan
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