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Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

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Europa se alinha aos EUA e Israel em ofensiva contra o Irã; Espanha isola-se na oposição

Potências europeias justificam guerra como "mudança de regime", enquanto Madri alerta para o risco de repetir o desastre do Iraque.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Europa se alinha aos EUA e Israel em ofensiva contra o Irã; Espanha isola-se na oposição
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No sexto dia de hostilidades no Oriente Médio, o cenário diplomático no continente europeu consolidou-se em favor da coalizão liderada por Washington e Jerusalém. Com exceção da Espanha, as principais potências da região — Reino Unido, França e Alemanha — manifestaram apoio político e logístico à ofensiva contra Teerã, atribuindo ao governo iraniano a responsabilidade exclusiva pela deflagração do conflito e exigindo a aceitação imediata das condições impostas por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

 
 

O Eixo de Apoio e a Estratégia das Potências

A postura das nações europeias reflete um realinhamento estratégico e, segundo especialistas, uma tentativa de barganha com a Casa Branca:

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Alemanha: O chanceler Friedrich Merz demonstrou o alinhamento mais incisivo, visitando a Casa Branca e classificando o governo iraniano como “bárbaro”. Analistas veem na postura de Berlim uma tentativa de preservar a integridade da Otan e evitar ameaças territoriais de Trump, como a ventilada intenção de anexar a Groenlândia.

França: O presidente Emmanuel Macron enviou navios de guerra ao Oriente Médio para “operações defensivas” e anunciou o aumento do estoque de ogivas nucleares francesas, enquanto condena o programa atômico iraniano.

Reino Unido: Londres fornece suporte logístico crucial a partir de suas bases na região e coordena declarações conjuntas focadas na destruição da capacidade de mísseis do Irã.

Portugal e Itália: Lisboa autorizou o uso da base dos Açores pelos EUA, enquanto Roma foca no apoio aos países do Golfo e na crítica à repressão interna no Irã.

A Divergência Espanhola e o Direito Internacional

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tornou-se a única voz dissidente de peso no bloco. Sánchez relembrou os fracassos da Guerra do Iraque, alertando que a agressão atual pode desencadear novas crises migratórias e explosão nos preços de energia. “A questão é se estamos ou não do lado do direito internacional e da paz”, afirmou o líder espanhol, resistindo às ameaças de retaliação comercial feitas por Trump.

Para historiadores como Francisco Carlos Teixeira (UFRJ), a omissão da Europa em convocar o Conselho de Segurança da ONU fragiliza a legalidade internacional. Ao aceitar o atropelo das instâncias multilaterais, as potências europeias transformam a diplomacia em uma ferramenta de “subserviência”, ignorando que o ataque ocorreu durante processos de negociação.

Resposta do Irã

Em retaliação ao posicionamento europeu, a Guarda Revolucionária do Irã endureceu as ameaças no Estreito de Ormuz. Teerã alertou que navios de qualquer país que apoie a ofensiva — incluindo os europeus — estão proibidos de cruzar a via, o que pode paralisar o comércio global de petróleo e agravar a crise econômica mundial.

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