Em um relatório que foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) mencionou que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central (BC), recebeu pagamentos regulares de R$ 500 mil em troca de informações sigilosas que repassou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo mensagens trocadas entre o advogado e empresário Fabiano Zettel, que é cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro, ao menos uma das transferências chegou ao montante de R$ 760 mil. Vorcaro, dono do antigo Banco Master, foi liquidado pelo BC em novembro do ano passado.
Além disso, o relatório indica que Belline também foi agraciado com despesas de “almoço, jantar e guia em Paris”, todas custeadas por Vorcaro, cujo sigilo foi retirado na noite de quinta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo.
A PF também apontou que Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do departamento de Supervisão do BC, recebeu vantagens indevidas. No caso dele, a investigação menciona o custeio de uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, e a “aquisição de maneira atípica” de um imóvel rural de sua propriedade.
O relatório da PF identificou que ambos vazaram informações internas do BC relacionadas às investigações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras de grande escala ligadas ao Banco Master.
Conforme o documento, Santana e Souza atuaram como consultores de Vorcaro, ajudando no “alinhamento de estratégias e revisão de documentos”, além de realizarem reuniões privadas, inclusive na residência do investigado.
Contendo 164 páginas, o relatório inclui mensagens que, segundo a PF, foram trocadas entre Vorcaro e os dois servidores. Em uma delas, Paulo Sérgio Souza encaminha a portaria de sua nomeação ao cargo no Departamento de Supervisão e, em outra, destaca que se encontrar com Vorcaro para discutir interesses do Master é uma “prioridade absoluta”.
A conexão entre os servidores do BC e Daniel Vorcaro já era de conhecimento público desde a prisão preventiva do ex-banqueiro, mas a liberação do sigilo do relatório da PF trouxe à tona os pormenores da suposta remuneração que ambos teriam recebido.
Afastados de suas funções, tanto Belline Santana quanto Paulo Sérgio Souza negam ter vazado informações internas do BC para Daniel Vorcaro, afirmando que podem demonstrar que as despesas com viagens e outras benesses foram custeadas com seus próprios recursos.
A Agência Brasil está tentando contato com as defesas dos envolvidos para obter um novo posicionamento sobre o caso.
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