As maiores companhias aéreas da Europa instaram a União Europeia a não estender seu ETS (Sistema de Comércio de Emissões) para abranger voos internacionais, alertando que a medida aumentaria os preços das passagens, segundo uma carta vista pela Reuters.
A Comissão Europeia está a considerar expandir o regime para as emissões de voos com partida da UE, no âmbito de uma revisão prevista para o próximo mês. Atualmente, o ETS abrange apenas voos dentro da Europa.
O sistema exige que as companhias aéreas, assim como fábricas, usinas de energia e outras, comprem licenças para emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo que limita a oferta para impulsionar reduções ao longo do tempo.
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Esforços globais
Em uma carta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vista pela Reuters, os executivos das companhias aéreas Air France-KLM, IAG (proprietária da British Airways), Lufthansa e Ryanair se opuseram à ampliação do programa.
“A expansão da precificação de carbono da UE para voos fora do EEE (Espaço Econômico Europeu) penalizará ainda mais os passageiros e empresas europeias, aumentando o custo das passagens aéreas e do transporte de carga”, afirmaram.
A carta também foi assinada pelos presidentes de 15 empresas, incluindo AirBaltic, easyJet e TUI. Ela surge no momento em que líderes do setor aéreo se reúnem no Rio de Janeiro para o encontro anual da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo.
A carta afirmava que a ação da UE prejudicaria os esforços globais para descarbonizar a aviação, principalmente o programa CORSIA das Nações Unidas, que exige que as companhias aéreas comprem créditos de carbono para compensar o aumento das emissões de voos internacionais, mas não impõe cortes absolutos.
“Qualquer extensão do EU ETS prejudicará a legitimidade do CORSIA”, dizia a carta, instando Bruxelas a reduzir os custos do ETS aos níveis do CORSIA.
A Comissão afirma que a extensão do ETS garantiria tratamento igualitário entre as companhias aéreas e evitaria que as empresas aéreas de curta distância ficassem em desvantagem em relação às que operam rotas internacionais mais longas.
Bruxelas também se mostra cética quanto à capacidade do CORSIA, por si só, de impulsionar a descarbonização. Um estudo de 2021 encomendado pela Comissão alertou que o programa da ONU provavelmente não reduziria as emissões e poderia comprometer as metas climáticas da Europa.
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