Nenhum alimento deve ser tratado como “vilão”, mas alguns produtos precisam ser evitados ou consumidos com moderação pelas crianças. Essa foi a avaliação de a endocrinologista Claudia Cozer Kali, do Hospital Sírio-Libanês, e a nutricionista Thaís Cardeal Ramos, que participaram do CNN Sinais Vitais com Dr. Kalil para debater o papel da alimentação na obesidade infantil.
Thaís destacou que o conceito de “alimento proibido” está ultrapassado. “Não consigo chamar um alimento de vilão. Todos os alimentos podem entrar num contexto”, afirmou. No entanto, ela ressaltou que alguns produtos são consumidos em excesso pelas crianças e merecem atenção especial, como refrigerantes, bebidas açucaradas, sucos industrializados e salgadinhos.
Sucos de caixinha e em pó enganam pais e cuidadores
Um ponto levantado por Thaís foi a percepção equivocada que muitos pais e cuidadores têm sobre certos produtos. Segundo ela, sucos de caixinha e em pó são frequentemente vistos como opções saudáveis por causa da publicidade que associa esses itens a frutas. “A propaganda é uma fruta, então os pais acham que aquilo é até benéfico para a criança”, explicou. Ela também citou os doces consumidos todos os dias e os salgadinhos levados diariamente para a escola como exemplos de hábitos inadequados.
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Para a especialista, mais do que listar alimentos que “não podem” ser consumidos, o foco deve estar no equilíbrio. “Você pode se permitir comer um chocolate, mas como foi o seu contexto na semana? Como é a sua alimentação diariamente? Quando a gente utiliza esses alimentos ultraprocessados todos os dias, como um hábito, aí sim que não vai ser tão adequado”, pontuou Thaís.
Mito de que a criança “vai crescer e emagrecer” é perigoso
A endocrinologista Claudia Cozer Kali abordou outro tema recorrente: a crença de que crianças com excesso de peso irão emagrecer naturalmente com o crescimento. Claudia explicou que, na puberdade, o chamado “estirão” aumenta o gasto calórico e, se a alimentação for adequada, pode haver perda de peso. Porém, se os hábitos alimentares não forem saudáveis, o efeito pode ser o oposto.
“Ela [criança] acaba ganhando mais [peso], porque na adolescência ela tem autonomia de fazer escolhas e compras”, alertou Claudia. A especialista também destacou um dado preocupante: a chance de uma criança ou adolescente obeso se tornar um adulto obeso é de aproximadamente 70%, um índice considerado por ela como “bem alto”.
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