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Sabado, 12 de Setembro de 2026

Justiça

Flávio e Vorcaro trocam mensagens sobre o financiamento do filme Dark Horse

Os dados foram divulgados em relatórios da Polícia Federal pelo Supremo Tribunal Federal.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Flávio e Vorcaro trocam mensagens sobre o financiamento do filme Dark Horse
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Os relatórios da Polícia Federal (PF) sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelam mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Além disso, os documentos indicam possíveis encontros entre Flávio e Vorcaro, além de investigarem a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na mobilização dos recursos.

De acordo com a PF, Flávio solicitou R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção do filme, com R$ 60 milhões já pagos. Em agosto de 2025, o publicitário Thiago Miranda, que seria o intermediário dos repasses, questionou o banqueiro sobre parcelas que estavam em atraso.

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Encontros potenciais

Os primeiros registros de mensagens diretas entre Flávio e Vorcaro foram datados em 20 de agosto de 2025, segundo a PF. Vorcaro enviou a mensagem “21 pode ser”, ao que Flávio respondeu “Blz”, seguido de um sticker com a imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na sequência, o banqueiro escreveu “Kkk” e “Boa”, enquanto o senador respondeu: “A caminho”.

A PF entende que essa conversa sugere a possibilidade de um encontro físico. “Isso indica que pode ter ocorrido uma reunião presencial entre os dois no dia 20/08/2025”, menciona o relatório.

A investigação também indica outras reuniões potenciais. Em setembro, Miranda informou a Vorcaro que Flávio desejava discutir pessoalmente sobre o filme. Em outubro, o senador convidou o banqueiro para um jantar com a equipe de produção, agendado para 6 de novembro.

‘Imagina um calote’

No dia 8 de setembro de 2025, Flávio contatou novamente Vorcaro devido a parcelas em atraso, demonstrando preocupação com os impactos do atraso na produção.

“É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”, afirmou o senador, conforme registrado no relatório.

Em 16 de novembro do ano passado, um dia antes do início da Operação Compliance Zero, Flávio tentou contatar Vorcaro. O banqueiro respondeu: “Fala irmãozão” e mencionou que estava na igreja. Em seguida, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Transações nos EUA

A PF também investiga as movimentações financeiras relacionadas ao dinheiro. Dados de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) indicaram pelo menos sete remessas da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, totalizando US$ 12,33 milhões.

“O fundo se manteve juridicamente ativo, mas sem operações por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2 milhões da Entre Investimentos para o financiamento do filme”, destaca a PF.

O Havengate é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, que é apontado como aliado de Eduardo Bolsonaro. A PF investiga se os recursos enviados para os EUA também poderiam ter financiado a estadia de Eduardo no país.

Comunicação de Eduardo

Em março de 2025, Thiago Miranda enviou a Vorcaro um print de uma conversa com Eduardo, onde o ex-deputado discutia a transferência dos recursos para os Estados Unidos.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”

A Procuradoria-Geral da República também mencionou essa conversa ao analisar a movimentação financeira.

Documentação em disputa

A PF solicitou documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais da Go Up Entertainment LLC, a produtora associada ao filme. Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário da empresa, declarou que os documentos mantidos nos Estados Unidos não deveriam ser enviados diretamente às autoridades brasileiras sem que fossem seguidos os mecanismos de cooperação jurídica internacional.

A PF afirma que esses documentos são essenciais para esclarecer a origem dos recursos, o fluxo dos valores e os beneficiários finais.

Flávio e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade relacionada ao financiamento de Dark Horse. A investigação faz parte das apurações ligadas ao caso Banco Master.

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