O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, encerrou o período de fechamento de coligações sem nenhum apoio, portanto, dependerá apenas da força de seu partido no Congresso para somar tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita.
Segundo estimativas feitas pela CNN, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terá 4 minutos e 20 segundos de propaganda eleitoral, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter em torno de 5 minutos e 32 segundos.
A diferença entre os candidatos será de 1 minuto e 12 segundos. Trata-se da segunda menor disparidade entre um candidato do PT e o principal opositor da direita desde as eleições de 2010, quando Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno.
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O critério para definir o tempo de televisão parte da representatividade dos partidos no Congresso Nacional. O cálculo é feito com base no número de deputados e senadores pela legenda, além de 10% do tempo total dividido igualitariamente entre todos os candidatos.
Desde a primeira vitória do PT, em 2002, o PSDB compôs grandes coligações para estabelecer uma rivalidade partidária nas eleições. Em 2014, atingiu o maior número de partidos aliados, apesar de ter perdido tempo de TV. Contra o PSDB, Lula sempre acumulou menos tempo de propaganda eleitoral.
Eis a relação de tempo na propaganda eleitoral entre o PT e adversários desde 2002:
- 2002 – Lula x Serra (PSDB): 5 minutos e 19 segundos a 10 minutos e 23 segundos;
- 2006 – Lula x Alckmin (PSDB): 7 minutos e 21 segundos a 10 minutos e 22 segundos;
- 2010 – Dilma x Serra (PSDB): 10 minutos e 38 segundos a 7 minutos e 18 segundos;
- 2014 – Dilma x Aécio (PSDB): 11 minutos e 24 segundos a 4 minutos e 35 segundos;
- 2018 – Haddad x Bolsonaro (PSL): 2 minutos e 23 segundos a 8 segundos;
- 2022 – Lula x Bolsonaro (PL): 3 minutos e 39 segundos a 2 minutos e 38 segundos;
- 2026 – Lula x Flávio Bolsonaro (PL): 5 minutos e 32 segundos a 4 minutos e 20 segundos.
O levantamento realizado pela CNN levou em conta os dados disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Todos os números apontados pertencem ao cenário de primeiro turno. No segundo turno, ambos os candidatos recebem 50% do tempo total de maneira igualitária.
Há uma queda vertiginosa do tempo disponibilizado entre a eleição de 2014 e 2018 em decorrência da Reforma Eleitoral aprovada em 2015. O tempo total antes das mudanças era de 50 minutos divididos em dois blocos ao longo do dia. Após a reforma na lei, o tempo total de propaganda eleitoral passou a ser de 20 minutos, também no mesmo molde de dois blocos.
Os candidatos também podem distribuir outro bloco de propaganda eleitoral ao longo da grade horária em forma de inserções, pílulas do programa eleitoral que podem ir de 30 a 60 segundos. Tal modalidade também obedece às regras de cálculo de proporcionalidade de bancadas.
A história das últimas eleições mostra que o fator “tempo de TV” importa para a eleição. Em 2018, porém, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad tendo apenas 8 segundos de exposição. Ao mesmo tempo, o recordista de tempo nas telas, Geraldo Alckmin (PSDB à época), com 5 minutos e 32 segundos, teve apenas 4,76% dos votos.
Espaço do PL
A legenda comandada por Valdemar Costa Neto se viu tendo que seguir um caminho “solo” nas eleições de outubro deste ano. Após semanas em busca de um vice que compusesse a chapa presidencial, Flávio recebeu uma série de rejeições e anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como companheiro de chapa.
Apesar de isolado, como a maioria dos demais candidatos à Presidência, Flávio possui o segundo maior tempo de tela geral, sendo o primeiro dentre os candidatos da direita e centro-direita.
Na semana passada, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou a tabela de representatividade dos partidos. A lista é usada como base para o tempo de propaganda de cada candidato e vai guiar os conteúdos produzidos pelos partidos, que vão ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro.
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