Em função do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia – que prevê reduções tributárias e começou a valer, em partes, no dia 1º de maio – o governo da Itália projeta que itens como vinhos italianos e frutas deverão ficar mais baratos para o consumidor brasileiro.
Além disso, o levantamento do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália prevê que outros produtos, como queijos, chocolates, azeites, biscoitos e massas também devem ser potencialmente beneficiados com a queda na cobrança de impostos.
A estimativa, que foi feita a partir de dados comerciais do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), calcula que o valor de desconto com melhores condições tarifárias pode chegar a US$ 63 milhões por ano sobre toda a importação de itens italianos quando o acordo estiver totalmente em vigor.
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O setor de alimentos em geral constitui grande parte da pauta de produtos que o Brasil compra da Itália. Mais de 80% de tudo que é importado do país tem relação com alimentação.
A expectativa do governo italiano é de que já no primeiro ano de vigência do acordo entre os blocos, cerca de um terço do total comprado pelo Brasil estejam sob efeito de descontos nas tarifas.
Como a implementação das reduções nos impostos será gradual, a previsão é de que o índice de importações beneficiadas com as novas regras chegue a 75% em 2031, e a até 99% quando todo o processo for concluído – o que pode durar até 15 anos.
Diferenças entre produtos
A categoria de frutas frescas será a maior beneficiada já no primeiro ano dos benefícios, pois já tiveram desconto imediato desde o início do mês. Itens como vinhos espumantes de alto valor (acima de acima de US$ 8 por litro) e óleos vegetais também já estão sob regime especial de tributação.
Já os vinhos mais baratos terão queda nos preços gradualmente. Produtos diversos que são importados, como azeite, massas e o chocolate italiano terão diminuição nos impostos em um período que pode variar entre 4 e 15 anos, dependendo do item.
Em termos de maiores valores absolutos comprados da Itália pelo Brasil no ano passado, está a categoria de massas, biscoitos e produtos de pastelaria, que movimentaram cerca de US$ 85 milhões em 2025. Segundo o governo italiano, este grupo terá os maiores descontos absolutos ao longo da vigência do acordo.
Entenda o acordo Mercosul-UE
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE (União Europeia) passo a valer em caráter provisório na última sexta-feira (1º).
A princípio, com a conclusão dos trâmites internos e a troca formal de notificações entre as partes, entra em vigor a parte comercial do tratado, que facilita as trocas entre as partes.
Os pilares político e de cooperação do acordo exigem, porém, a ratificação completa por todos os países da União Europeia, ainda sem previsão para acontecer.
Divididos em sete categorias, os importados seguirão um calendário de 15 anos no qual alguns itens terão suas tarifas reduzidas de maneira escalonada. A cada ano, cada categoria vai aumentar gradualmente o desconto da alíquota de importação, até 100%.
Porém, o acordo de livre comércio contempla um capítulo sobre defesa comercial, que garante a aplicação de medidas antidumping e compensatórias conforme as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio), garantindo proteção caso ocorram práticas desleais de comércio.
Entenda o que é acordo Mercosul-UE, que entra em vigor de forma provisória | CNN NOVO DIA
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