O Hezbollah afirmou nesta quarta-feira (15) que a decisão do governo libanês de realizar negociações com Israel foi “um pecado nacional” que ampliaria as divisões no Líbano, evidenciando a profunda polarização no país enquanto o grupo apoiado pelo Irã trava uma guerra com Israel.
O deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, afirmou na terça-feira (14) que o encontro mediado pelos EUA entre a embaixadora do Líbano em Washington e seu homólogo israelense não refletiu a identidade nacional do Líbano nem “as escolhas de seu povo”.
O encontro, organizado pelo Secretário de Estado americano Marco Rubio, foi o primeiro contato direto desse tipo em décadas entre os dois países, que permanecem em estado de guerra desde a criação de Israel em 1948.
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Ambos os lados disseram que as conversas foram positivas, embora, antes da reunião, Israel tivesse descartado qualquer discussão sobre a exigência do Líbano de um cessar-fogo na guerra, que eclodiu em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo em apoio a Teerã.
“Será que o governo não se dá conta do perigo do que empreendeu? E será que entende que entrou por um caminho errado que só leva a aumentar a divisão entre os libaneses?”, questionou Fadlallah.
“Não obteve nada do inimigo, exceto elogios, sem atender a qualquer exigência”, disse o deputado do Hezbollah em um pronunciamento televisionado.
A reunião de terça-feira (14) ocorreu em um momento crítico da crise no Oriente Médio, uma semana após o início de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O conflito mais amplo na região começou com os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. A ofensiva israelense no Líbano matou mais de 2.000 pessoas e forçou 1,2 milhão a deixar suas casas, segundo as autoridades libanesas.
Fadlallah afirmou que seu grupo deseja um cessar-fogo abrangente, em vez de um retorno aos ataques e assassinatos israelenses quase diários, como os vistos após o acordo de cessar-fogo anterior com Israel em novembro de 2024.
O Estado libanês tem buscado desarmar o Hezbollah pacificamente desde a guerra de 2024. Qualquer tentativa do Líbano de desarmá-lo pela força corre o risco de desencadear um conflito em um país devastado pela guerra civil entre 1975 e 1990.
As ações contra o Hezbollah por um governo apoiado pelo Ocidente em 2008 provocaram uma breve guerra civil.
O atual governo proibiu o braço armado do Hezbollah depois que este abriu fogo contra Israel no mês passado.
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