Brasília — Investigadores da Polícia Federal identificaram indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria articulado uma ofensiva digital contra o Banco Central do Brasil (BC) antes mesmo da liquidação do banco decretada pela autoridade monetária, segundo relatos obtidos pela Gazeta do Povo sobre o andamento das apurações.
De acordo com fontes que acompanham o caso, análises preliminares de dispositivos eletrônicos e documentos apreendidos durante a Operação Compliance Zero — deflagrada em novembro de 2025 — apontam que Vorcaro pode ter antecipado um cenário desfavorável para o Master e, diante disso, articulado atos para impulsionar narrativas favoráveis ao banco e críticas ao BC nas redes sociais.
Os indícios constam em materiais apreendidos em 17 de novembro, um dia antes da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Na ocasião, Vorcaro foi preso ao deixar o país, em uma ação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, mas obteve liberdade sob medidas cautelares no fim de dezembro.
Investigadores relataram que, antes da intervenção formal do regulador, já havia sinais de postagens e campanhas digitais questionando a atuação do BC e defendendo o banco em meio às dificuldades enfrentadas. Conversas extraídas de aparelhos eletrônicos sugerem que Vorcaro teria repassado orientações a intermediários — incluindo empresas contratadas para trabalho com influenciadores — para promover conteúdos que desacreditassem o Banco Central e pressionassem por reversões de decisões regulatórias.
A apuração também identificou a participação de perfis coordenados em redes sociais, com mensagens críticas ao BC, que elevaram a suspeita de uma estratégia organizada de comunicação digital.
A defesa de Vorcaro negou envolvimento do banqueiro na contratação de influenciadores ou na coordenação de campanhas digitais contra a autoridade monetária, afirmando que ele não teve “nenhum envolvimento ou conhecimento” sobre tais iniciativas.
A Polícia Federal, por sua vez, afirma que não comenta detalhes de investigações em curso. O caso segue sob sigilo decretado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o ministro Dias Toffoli relator das ações e decisões judiciais relacionadas.
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