Após mais de cinco anos de investigações e trâmites judiciais, o caso da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entra em sua fase decisiva com o início do júri popular marcado para o dia 23 de março de 2026, no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Os réus, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros, serão julgados sob intensa atenção pública e ampla cobertura da imprensa.
De acordo com a acusação, Jairinho foi o responsável direto pelas agressões que causaram a morte da criança. Já Monique responde por omissão, sob a suspeita de não ter impedido os episódios de violência contra o próprio filho.
Às vésperas do julgamento, o processo voltou a registrar movimentações importantes. Durante reunião com a juíza Elizabeth Machado Louro, foram discutidos pedidos das defesas para acesso integral a provas, incluindo dados de um computador pertencente ao pai do menino, Leniel Borel. A magistrada autorizou o acesso, buscando evitar questionamentos futuros sobre a validade do julgamento.
Nos últimos meses, Leniel também tem intensificado sua atuação nas redes sociais, onde compartilha atualizações sobre o andamento do processo e mensagens cobrando justiça pela morte do filho. As publicações frequentemente mobilizam milhares de pessoas, mantendo o caso em evidência e pressionando por uma resposta rápida do Judiciário. O pai de Henry também tem utilizado os canais digitais para rebater posicionamentos das defesas e reforçar a narrativa da acusação.
Para Leniel, a estratégia das defesas é clara: adiar o desfecho do caso. Ele afirma que há uma tentativa de prolongar o processo, o que poderia abrir brechas para que os acusados respondam em liberdade.
Em sentido oposto, o advogado Rodrigo Faucz, que atua na defesa de Jairinho, afirma que o interesse é realizar o julgamento o quanto antes, mas ressalta que a equipe não participará de um júri sem acesso completo às provas, alegando compromisso legal com o cliente.
As teses defensivas devem concentrar-se na negativa de responsabilidade direta. No caso de Jairinho, a linha argumentativa aponta que ele não teria participação no momento da morte, além de questionar a credibilidade dos laudos periciais. Já a defesa de Monique deve sustentar que ela não presenciou os fatos e, por isso, não pode ser responsabilizada criminalmente.
Um ponto de incerteza envolve a babá Thayná Oliveira, considerada testemunha relevante. Ela não foi localizada pela Justiça, o que pode impactar a estratégia da defesa de Monique, que via no depoimento uma forma de reforçar a responsabilização exclusiva de Jairinho.
Perfil dos acusados
Jairinho (Jairo Souza Santos Júnior)
Ex-vereador do Rio de Janeiro, construiu carreira política com forte atuação em comunidades da zona oeste da capital fluminense. Foi preso em 2021, acusado de ser o principal responsável pelas agressões contra Henry. Desde então, responde ao processo sob forte rejeição pública e teve o mandato cassado.
Monique Medeiros
Professora e mãe de Henry, Monique foi presa sob acusação de omissão. A investigação aponta que ela tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho, mas não teria tomado medidas para impedir a violência. A defesa sustenta que ela não presenciou os fatos e também teria sido manipulada emocionalmente.
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