As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira (9) com baixas leves, em mais uma sessão positiva para os ativos brasileiros, em meio aos desdobramentos do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries tinham sinais mistos neste fim de tarde.
Com o barril do petróleo novamente em alta no exterior, mas abaixo dos US$ 100, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,395%, com recuo de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,459% da véspera. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,62%, com baixa de 1 ponto-base ante 13,63%.
Desde que o acordo de cessar-fogo foi anunciado, na noite de terça-feira, as taxas para janeiro de 2028 e janeiro de 2035 cederam 54 e 31 pontos-base, respectivamente.
Na quarta-feira, em especial, as taxas despencaram, com investidores eliminando da curva a termo boa parte dos prêmios de risco ligados ao conflito e precificando alguma possibilidade de corte de 50 pontos-base da Selic este mês.
Nesta quinta-feira, porém, as dúvidas sobre a aplicação do cessar-fogo e a normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz contiveram o otimismo.
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O tráfego por Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal, enquanto Teerã reafirmou seu controle sobre a área, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.
Já Israel lançou novos ataques contra alvos no Líbano, enquanto em outra frente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu instruções para que o país inicie negociações de paz que incluiriam o desarmamento do Hezbollah.
Neste cenário, as taxas dos DIs se mantiveram próximas da estabilidade ou com leves altas durante a manhã, migrando para o território negativo perto do meio-dia, em sintonia com a perda de força dos rendimentos dos Treasuries.
Às 13h, a taxa do DI atingiu a mínima intradia de 13,335%, em baixa de 12 pontos-base ante o ajuste anterior. Às 13h09, o DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 13,575%, em queda de 6 pontos-base.
O recuo das taxas futuras ocorreu em sintonia com a baixa do dólar ante o real e o avanço do Ibovespa, que superou os 195 mil pontos pela primeira vez na história.
Durante a tarde, a curva a termo precificava 76% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic no fim deste mês, contra 24% de chance de redução de 50 pontos-base.
Esses percentuais são semelhantes aos vistos no fim da sessão regular da véspera, mas diferem da precificação anterior ao cessar-fogo. Na terça-feira, antes do acordo entre EUA e Irã, a curva precificava 92% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 8% de manutenção da Selic em 14,75% ao ano.
Nos EUA, além do noticiário sobre o Oriente Médio, os investidores reagiram a dados sobre a economia norte-americana.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país subiu 0,5% no quarto trimestre de 2025, ante alta de 0,7% projetada em pesquisa da Reuters com economistas. O núcleo do índice de inflação PCE — bastante monitorado pelo mercado — subiu 0,4% em fevereiro, em linha com as projeções. Ambos os números mostram um retrato pré-guerra.
Já os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA somaram 219 mil na semana passada, ante estimativa em pesquisa da Reuters de 210 mil.
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 2 pontos-base, a 3,777%. Na ponta longa, o retorno do papel de 30 anos avançava 1 ponto-base, a 4,899%.
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