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Sabado, 30 de Maio de 2026

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Março Amarelo alerta para diagnóstico tardio da endometriose

Entenda os sintomas que indicam a doença e quando a dor precisa de investigação especializada

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Por Estadão Rondônia
Março Amarelo alerta para diagnóstico tardio da endometriose
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A dor menstrual intensa ainda é frequentemente tratada como algo esperado na vida das mulheres. Essa naturalização contribui para que a endometriose, doença inflamatória crônica que pode comprometer diferentes órgãos da pelve, leve anos para ser diagnosticada.

Muitas pacientes passam por consultórios, pronto atendimentos e emergências antes de receber orientação adequada. A ideia de que se trata apenas de cólica comum retarda a investigação e prolonga o sofrimento. Dor incapacitante é sinal de alerta e deve ser avaliada.

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Muito além da cólica comum

A cólica menstrual habitual costuma ser previsível, responde a analgésicos simples e não impede as atividades diárias. Na endometriose, o quadro tende a ser diferente. A dor pode se tornar progressiva ao longo dos meses ou anos, provocar faltas ao trabalho ou à escola, surgir durante a relação sexual e aparecer ao evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual. Também podem ocorrer distensão abdominal, alterações intestinais ou urinárias cíclicas e, em alguns casos, sangramento anormal.

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Quando esses sintomas se repetem ou se intensificam, é recomendável buscar investigação especializada. O atraso no diagnóstico impacta a qualidade de vida, favorece quadros de ansiedade e pode afetar a fertilidade.

Impactos silenciosos na qualidade de vida

A doença vai além da dor pélvica. Pode comprometer relações afetivas, desempenho profissional, sono, humor e vida sexual. Em formas profundas, atinge intestino, bexiga e estruturas nervosas, o que gera sintomas complexos e muitas vezes confundidos com outros problemas clínicos.

Em parte das pacientes, a infertilidade é a primeira manifestação percebida. Mesmo quando não há desejo imediato de engravidar, preservar a saúde reprodutiva integra o cuidado adequado. A limitação imposta pela dor recorrente também leva ao isolamento social e à redução de atividades físicas e profissionais.

Diagnóstico baseado em escuta e precisão

O diagnóstico começa com escuta qualificada e avaliação clínica detalhada. Exame físico direcionado e histórico bem conduzido orientam a solicitação de exames de imagem apropriados. Ultrassonografia com mapeamento específico e protocolos de ressonância magnética permitem identificar a extensão da doença e planejar o tratamento.

Nos últimos anos, o Brasil avançou na padronização de protocolos e na integração entre equipes clínicas, de imagem e cirúrgicas, o que aumentou a precisão diagnóstica e reduziu condutas baseadas apenas em suspeitas.

Tratamento individualizado e abordagem multidisciplinar

O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas, a extensão da doença e os planos reprodutivos da paciente. Em muitos casos, a abordagem clínica com controle da dor, terapia hormonal, fisioterapia pélvica e ajustes no estilo de vida é suficiente para estabilizar o quadro.

Quando há doença profunda, obstruções ou falha do tratamento clínico, a cirurgia minimamente invasiva pode ser indicada, desde que realizada por equipe experiente e inserida em uma linha de cuidado que inclua preparo e acompanhamento. A tendência atual privilegia decisões compartilhadas, metas claras e atuação multidisciplinar.

Reconhecimento precoce muda o curso da doença

A endometriose exige reconhecimento precoce, acompanhamento contínuo e avaliação de resultados. O avanço tecnológico amplia as possibilidades diagnósticas, mas a mudança mais importante é cultural. Levar a dor a sério, combater a desinformação e garantir acesso a equipes capacitadas são medidas centrais para reduzir o tempo até o diagnóstico e melhorar a qualidade de vida das pacientes.

*Texto escrito pelo ginecologista e obstetra Maurício Simões Abrão (CRM 52842 | RQE 61894), head nacional da Brazil Health

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FONTE/CRÉDITOS: nathalieayres
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