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Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

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Mercado vê chance maior de manutenção dos juros após payroll forte

Mudança na perspectiva ocorre após relatório de emprego dos EUA mostrar criação de emprego bem acima do teto das estimativas e fazer mercado financeiro ampliar chances de alta de juros pelo Fed

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Mercado vê chance maior de manutenção dos juros após payroll forte
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Os vértices intermediários e longos dos juros futuros renovaram máxima nesta tarde e alcançaram os maiores níveis desde março e abril de 2025, respectivamente, momento em que o Copom (Comitê de Política Monetária) ainda estava elevando a taxa Selic.

Com a arrancada das taxas, a aposta majoritária (68%) agora é de que o juro básico se mantenha em 14,50% ao ano na reunião de junho.

A mudança na perspectiva ocorre após o relatório de emprego dos Estados Unidos, payroll, mostrar criação de emprego bem acima do teto das estimativas e fazer o mercado financeiro ampliar chances de alta de juros pelo Fed (Federal Reserve) no segundo semestre de 2026.

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Trata-se de um novo ingrediente para a tempestade perfeita a favor de juros altos por mais tempo, que já contemplava a deterioração das expectativas de inflação, a desvalorização do real e a incerteza eleitoral.

O contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 subiu a 14,43%, de 14,295% do ajuste de quarta-feira. A taxa para janeiro de 2029 avançou para 14,81%, ante 14,427%, e o para janeiro de 2031 subiu a 14,71%, de 14,409%.

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Os EUA criaram 172 mil empregos em maio, em termos líquidos, acima do teto das estimativas de 125 mil postos e mediana de 85 mil. O time de economistas do Bradesco, liderado por Fernando Honorato Barbosa, afirmou que “a diferença relevante frente a abril quando criou 115 mil vagas está na função de reação do Fed: com o pano de fundo de pressão inflacionária via energia (Oriente Médio e Ormuz), a combinação de mercado resiliente traz foco do FOMC de volta para a inflação”.

E de fato, o mercado passou a ver maiores chances de que o Fed eleve juros em setembro (de 23,2% antes da divulgação do payroll para 38,4% por volta das 12h de Brasília). A aposta majoritária, contudo, ainda é de manutenção, que recuava de 74,1% para 60,5%.

“O payroll foi um gatilho e uma pressão adicional para os juros futuros brasileiros”, comenta o economista Carlos Lopes, do banco BV, destacando que por aqui os investidores tiram bastante da probabilidade de queda na taxa Selic na próxima reunião.

“Temos queda de 8 pontos precificada para o dia 18 de junho, então a probabilidade maior é de parada. O mercado agora aguarda para ver se o BC dará alguma sinalização contra essa precificação, ou se ele se manterá em silêncio”, afirma. Uma redução de 8 pontos na curva representa 68% de chance de manutenção do juro básico em 14,50%, e 32% de corte de 0,25 ponto porcentual.

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A correção local na renda fixa, contudo, já tinha respaldo de uma série de outras preocupações: os próprios números de inflação e as expectativas com relação a guerra durando por mais tempo, acrescenta Lopes.

O BofA (Bank of America) mencionou a deterioração nas dinâmicas atuais de inflação, o aumento das expectativas de inflação e um real mais fraco para embasar sua mudança de cenário, que prevê apenas mais um corte de 0,25 pp na Selic em junho e uma sinalização do Copom de pausa no ciclo de afrouxamento.

Assim, o banco elevou a projeção para a taxa básica de juros no fim de 2026, de 13,25% para 14,25%, e no fim de 2027, de 12,50% para 13,25%.

“O payroll inverteu completamente o cenário. Talvez o Copom tenha espaço para mais um corte de juros, e nenhum mais. Talvez nem mesmo esse de junho”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

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FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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