O mosquito Anopheles cruzii, principal vetor da malária em áreas de Mata Atlântica, não é uma espécie única, mas sim um complexo formado por cinco linhagens geneticamente distintas.
O achado indica que o inseto, antes tratado como uma única unidade biológica, agrupa cinco espécies crípticas, em organismos que possuem aparência externa idêntica, mas que não se reproduzem entre si.
A descoberta, que contou com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi publicada na revista científica Communications Biology, do grupo Nature.
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Tecnologia genômica e mapeamento de linhagens
Para identificar as diferenças, pesquisadores da UFSC, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) utilizaram a filogenômica, técnica que analisa milhares de genes para mapear o DNA.
As coletas foram realizadas em dez cidades nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
As cinco linhagens foram batizadas de A, B, C, D e E. Segundo o estudo, a linhagem A apresenta maior distribuição na região costeira, incluindo Florianópolis, enquanto a linhagem E foi detectada apenas no município de Santa Teresa (ES).
A precisão do mapeamento molecular permitiu confirmar o isolamento reprodutivo entre linhagens que coabitam o mesmo local, o que as caracteriza como espécies distintas.
Impacto no controle da malária e saúde pública
A distinção entre as espécies é considerada fundamental para a definição de políticas de saúde pública.
De acordo com os especialistas, a capacidade de transmitir o parasita da malária (Plasmodium) pode variar entre as cinco linhagens identificadas.
Com a possibilidade de reconhecer cada espécie críptica, as estratégias de vigilância sanitária podem se tornar mais precisas e econômicas.
Atualmente, os esforços de controle são aplicados a todas as populações do mosquito, mas a ciência indica que talvez apenas uma ou duas linhagens sejam os vetores realmente relevantes para a transmissão humana.
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