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Sabado, 23 de Maio de 2026

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Mudanças climáticas estão alterando “amizades” de macacos, mostra estudo

Pesquisa acompanhou por mais de três décadas grupos de macacos-prego na Costa Rica e identificou que eventos climáticos extremos mudam padrões de convivência, competição e uso do território

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Mudanças climáticas estão alterando “amizades” de macacos, mostra estudo
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As mudanças climáticas podem estar transformando a forma como animais sociais se relacionam e organizam seus grupos. Um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution mostrou que eventos climáticos extremos alteram o equilíbrio entre cooperação e competição entre macacos-prego de cara branca, afetando inclusive aquilo que os pesquisadores descrevem como as “amizades” e dinâmicas sociais desses animais.

Conduzida por pesquisadores do Max Planck Institute of Animal Behavior, da Universidade de Konstanz e da Universidade da California, Los Angeles (UCLA), a pesquisa acompanhou durante 33 anos 12 grupos vizinhos de macacos-prego selvagens em uma floresta tropical seca da Costa Rica.

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Para entender como o clima interfere na vida social dos animais, os cientistas combinaram observações de campo com imagens de satélite que monitoraram mudanças na vegetação e na cobertura florestal ao longo das décadas. Ao todo, foram analisados dados comportamentais de 335 indivíduos.

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Em condições consideradas normais, grupos maiores apresentavam mais competição interna por alimento, especialmente frutas. Para compensar esse custo, os macacos ampliavam suas áreas de circulação e ocupavam territórios antes usados por grupos menores, garantindo acesso a mais recursos.

Mas esse equilíbrio mudava durante períodos de estresse climático. Na estação seca, intensificada por eventos como El Niño e La Niña, recursos como água, alimento e sombra passaram a se concentrar em áreas menores. Com isso, os grupos passaram a se encontrar mais frequentemente e a defender territórios de forma mais intensa, aumentando disputas entre vizinhos.

Segundo os pesquisadores, em cenários extremos o benefício tradicional de viver em grupos grandes começa a diminuir. A competição por alimento aumenta e a vantagem numérica deixa de compensar os custos energéticos. Em situações prolongadas, indivíduos podem abandonar seus grupos e estruturas sociais inteiras podem se fragmentar.

Os autores destacam que El Niño e La Niña são ciclos naturais e não consequência direta das mudanças climáticas. No entanto, projeções indicam que o aquecimento global pode tornar esses extremos mais frequentes e intensos, o que, segundo o estudo, pode alterar de forma duradoura a organização social de populações animais no futuro.

Com informações da AAAS e EurekAlert!*

FONTE/CRÉDITOS: manuelladalmas
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