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Quarta-feira, 15 de Julho de 2026

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Nova gasolina E32 “dificilmente será perceptível”, diz especialista

Segundo o diretor da Excel Fuelling Technologies, o impacto deve ser maior em carros mais antigos e em importados

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Nova gasolina E32 “dificilmente será perceptível”, diz especialista
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A transição da gasolina comercializada no Brasil para a mistura obrigatória de 32% de etanol anidro (E32), amparada pelo marco regulatório da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), marca um novo capítulo na matriz energética do país. Embora o governo projete uma economia de R$ 450 milhões com a redução na importação de gasolina, a maior parte dos motoristas quer saber o que muda, de fato, no uso diário.

Para esclarecer as implicações mecânicas, químicas e econômicas dessa transição, conversamos com Eduardo Silva, diretor da Excel Fuelling Technologies, que detalha o comportamento do novo combustível nos motores brasileiros.

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O que muda na prática com o E32?

O aumento de dois pontos percentuais na mistura altera sutilmente as propriedades físicas do combustível que chega aos tanques do país. Segundo Eduardo Silva, a gasolina comercializada no Brasil passará a conter uma proporção ligeiramente maior de etanol anidro (subindo de 30% para 32%).

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Por se tratar de um combustível oxigenado, com maior octanagem e menor poder calorífico por litro do que a gasolina pura, o etanol contribui para uma combustão mais eficiente e ajuda na redução das emissões de poluentes.

Como consequência direta dessa menor densidade energética do etanol em comparação com o derivado de petróleo, pode haver, sim, uma alteração mínima na autonomia do veículo. De acordo com o especialista, a tendência é que o automóvel precise consumir um volume ligeiramente maior de combustível para percorrer a mesma distância, embora essa diferença deva ser insignificante para a maioria dos condutores.

Apesar disso, o diretor tranquiliza quem teme notar perda de rendimento no trânsito diário:

“Para a grande maioria dos condutores, a mudança deve passar praticamente despercebida. Pode haver uma redução muito discreta na autonomia, decorrente do menor conteúdo energético do etanol em relação à gasolina, mas dificilmente será perceptível no uso diário.”

Silva acrescenta que os motores modernos possuem gerenciamento eletrônico capaz de ajustar automaticamente parâmetros como ignição e injeção de combustível para compensar pequenas alterações na composição. Dessa forma, o motorista tende a perceber muito mais as diferenças relacionadas à qualidade do combustível adquirido e às condições de manutenção do veículo do que propriamente ao aumento de dois pontos percentuais na mistura.

Os motores correm risco de danos?

Muitos proprietários de automóveis temem que a acidez ou as propriedades solventes do etanol acelerem o desgaste de componentes internos.

No entanto, para a frota nacional moderna — que já conta com marcas tradicionais e novas fabricantes chinesas, como BYD e GWM, prontas até para calibrações de até 35% de etanol —, o cenário é seguro. De acordo com o diretor da Excel Fuelling Technologies, a expectativa é de que não haja impactos relevantes para veículos modernos, homologados e com a manutenção em dia, uma vez que as montadoras já desenvolvem motores considerando os percentuais elevados de etanol historicamente adotados na gasolina brasileira.

Ao ser questionado se os veículos que rodam exclusivamente a gasolina passam ilesos por essa nova mistura de 32%, o diretor confirma que a maior parte da frota nacional está protegida, visto que os automóveis vendidos oficialmente no país são desenvolvidos considerando as especificações do combustível nacional de alta mistura.

O alerta real, contudo, recai sobre nichos específicos e frotas desatualizadas:

“A maior atenção fica para veículos mais antigos, modelos importados que não foram projetados para o combustível brasileiro ou automóveis com componentes de borracha, vedação ou sistema de alimentação já degradados pelo tempo. Nesses casos, uma mistura com maior teor de etanol pode acelerar problemas que já estavam em desenvolvimento, mas dificilmente será a causa isolada de um dano.”

O executivo pontua que a principal exceção pode ocorrer em veículos importados destinados originalmente a mercados onde praticamente não existe mistura de etanol, além de automóveis muito antigos que eventualmente não tenham componentes compatíveis. Mesmo nesses casos, a recomendação é seguir as orientações da montadora e utilizar combustível de boa procedência.

Preços e capacidade de abastecimento da indústria

A expectativa de que uma maior presença de biocombustível nacional resulte em preços mais baixos na bomba precisa ser vista com cautela. O especialista pondera que o valor final do combustível está atrelado a dinâmicas tributárias e macroeconômicas mais complexas.

Segundo Silva, a ampliação da mistura reduz a dependência da gasolina pura, aumenta o uso de um combustível produzido internamente e ajuda a mitigar a exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo. No entanto, como o preço final depende de fatores como a cotação internacional do barril, câmbio, custos logísticos, carga tributária e oferta global, não existe uma solução única.

Para ele, resultados mais consistentes para o consumidor dependem do equilíbrio entre produção nacional de biocombustíveis, eficiência logística, estabilidade regulatória e políticas tributárias.

Por fim, no que diz respeito ao abastecimento e à capacidade do agronegócio de suprir os novos 32% (o país produz atualmente cerca de 37,5 bilhões de litros de etanol por safra), Silva avalia que a cadeia nacional de produção de cana-de-açúcar e milho está madura o suficiente.

Os investimentos realizados nos últimos anos dão suporte para essa expansão, embora o diretor ressalte a necessidade de planejamento entre produtores, distribuidoras e agentes logísticos para garantir o abastecimento regular, principalmente durante os períodos de entressafra.

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FONTE/CRÉDITOS: alexandremello
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