Pesquisa associa masturbação ao alívio do estresse e da carga mental
Levantamento realizado com 1.084 usuários de um aplicativo de relacionamento mostra que parte dos entrevistados considera o prazer solo uma forma de autocuidado
Uma pesquisa realizada pelo aplicativo de relacionamento Happn indica que a masturbação deixou de ser vista apenas como uma alternativa para períodos sem parceiro e passou a ocupar espaço entre os hábitos associados ao autocuidado, ao relaxamento e ao bem-estar emocional.
O levantamento ouviu 1.084 usuários no Brasil durante o mês de agosto. Entre os participantes, 34% afirmaram considerar o autotoque uma prática legítima de autocuidado, relacionada ao alívio do estresse e da chamada carga mental — acúmulo de preocupações, responsabilidades e tarefas que permanecem ocupando o pensamento ao longo do dia.
Os resultados, no entanto, representam a percepção dos usuários consultados e não comprovam, isoladamente, uma relação de causa e efeito. Como a pesquisa foi realizada entre pessoas cadastradas em um aplicativo de relacionamento, os dados também não devem ser automaticamente generalizados para toda a população brasileira.
Mulheres associam prática à saúde mental
O recorte por gênero mostrou que 43% das mulheres entrevistadas consideram a masturbação parte de sua rotina e uma maneira de cuidar da saúde mental.
Entre os homens participantes, 33% afirmaram enxergar a prática principalmente como uma válvula de escape durante os períodos em que estão solteiros.
A diferença sugere que homens e mulheres podem atribuir significados distintos à experiência. Enquanto parte das mulheres relaciona o prazer solo ao cuidado emocional e ao conhecimento do próprio corpo, uma parcela dos homens o associa mais diretamente à ausência de uma parceria sexual.
Apesar disso, especialistas destacam que não existe uma única motivação para a prática. Relaxamento, curiosidade, prazer, melhora do sono e descoberta das próprias preferências podem aparecer de maneiras diferentes na vida de cada pessoa.
Possíveis reflexos no bem-estar
A masturbação é considerada uma prática comum da sexualidade humana. Durante a excitação e o orgasmo, o organismo apresenta alterações fisiológicas e libera substâncias relacionadas às sensações de prazer, relaxamento e satisfação.
Essas respostas podem contribuir para uma percepção momentânea de redução da tensão, melhora do humor e facilidade para dormir. Os efeitos, entretanto, variam entre as pessoas e não devem ser apresentados como tratamento para ansiedade, estresse crônico, insônia ou outros problemas de saúde.
A saúde sexual envolve fatores físicos, emocionais, sociais e psicológicos. Dentro desse contexto, conhecer o próprio corpo pode ajudar uma pessoa a compreender limites e preferências, além de melhorar a comunicação em relacionamentos.
A prática não substitui acompanhamento médico ou psicológico quando o sofrimento emocional é persistente ou interfere na rotina.
Equilíbrio também deve ser observado
Não existe uma frequência universalmente considerada correta. O principal sinal de atenção aparece quando o comportamento se torna compulsivo, provoca lesões, gera sofrimento ou começa a prejudicar relacionamentos, trabalho, estudos e outras atividades cotidianas.
Nessas situações, a orientação é procurar um profissional de saúde qualificado. Psicólogos, médicos e terapeutas sexuais podem ajudar a identificar se a prática está sendo utilizada como uma resposta isolada para enfrentar ansiedade, solidão ou outros desconfortos emocionais.
Também é importante manter cuidados de higiene, especialmente quando são utilizados acessórios compartilháveis. Objetos de uso íntimo devem ser higienizados conforme as orientações do fabricante e não devem ser compartilhados sem a proteção adequada.
Informação ajuda a enfrentar tabus
Embora faça parte da sexualidade humana, a masturbação ainda é cercada por constrangimento, desinformação e crenças sem comprovação científica. Uma abordagem responsável não precisa incentivar nem condenar a prática, mas oferecer informações para que adultos tomem decisões conscientes sobre o próprio corpo.
O levantamento do Happn ajuda a mostrar uma mudança na forma como parte do público percebe o tema. Mais do que uma resposta à ausência de parceiros, o prazer solo aparece associado, entre os entrevistados, ao relaxamento, à autonomia e ao cuidado pessoal.
Os resultados devem ser interpretados como um retrato das opiniões declaradas pelos participantes, e não como uma recomendação médica ou uma conclusão aplicável a todas as pessoas.
Com informações do Metrópoles, Happn, Ministério da Saúde, Cleveland Clinic e Organização Mundial da Saúde.
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