As sinalizações de Donald Trump de estender os conflitos no Irã impactam mercados ao redor do mundo nesta quinta-feira (2), aumentando a aversão ao risco dos investidores.
O cenário negativo se traduz em nova disparada dos preços do petróleo, mesma direção do dólar e dos juros futuros. Na ponta oposta, bolsas operam no vermelho de forma generalizada.
O presidente dos EUA frustrou as expectativas de arrefecimento das tensões no Oriente Médio ao afirmar na véspera que prevê mais duas ou três semanas de conflito no Irã.
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“Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, onde eles pertencem”, disse Trump durante um pronunciamento em horário nobre na Casa Branca.
“Enquanto isso, as discussões estão em andamento”, continuou o presidente.
“A mudança de regime não era nosso objetivo. Nunca dissemos mudança de regime, mas a mudança de regime ocorreu por causa da morte de todos os seus líderes originais. Todos eles estão mortos.”
O tom agressivo do republicano frustou expectativas de arrefecimento das tensões, o que trouxe alívio aos mercados na véspera.
A volta do pessimismo pressiona humores nesta quinta, reforçando a fuga dos investidores de ativos de risco.
Por volta de11h50, o petróleo tipo Brent – referência no mercado global – subia 5,91%, negociado a US$ 107 o barril. Na mesma hora, o tipo WTI, base do mercado dos EUA, ganhava 8,62 %, a US$ 108 o barril.
A fuga ao risco dá novo fôlego ao dólar, que voltou a subir ao redor do mundo, com o DXY – que compara a divisa dos EUA ante uma cesta de moedas fortes – ganhava quase 0,4%.
O rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 3 pontos-base, a 4,354%
O mau humor também derruba as bolsas em escala global. Em Wall Street, S&P 500 perdia 0,23%, enquanto Dow Jones e Nasdaq recuavam 0,22% e 0,34%, respectivamente.
O mesmo movimento é visto nas praças europeias, que estão caminhando para o encerramento, com o Stoxx 600 perdendo 0,28%.
Mais cedo, bolsas na Ásia já deram o tom negativo do dia, com ações encerrando em queda nas principais praças do continente.
Ibovespa em queda, juros sobem
Os principais indicadores do mercado doméstico replicam o sentimento negativo.
Na mesma hora, o Ibovespa perdia mais de 0,4%, na faixa de 187 mil pontos, apesar da alta em bloco de petróleiras – uma das principais bases da bolsa local.
O dólar seguia na direção oposta, com alta quase 0,2%, negociado ao redor de 5,16.
O movimento também dava novo fôlego para os juros, com aberturas em todas as pontas,
No Brasil, após três sessões de baixas, as taxas dos DIs subiam, acompanhando a aversão global a ativos de risco, que também penaliza o real. Entre investidores e analistas, a volatilidade recente dos mercados mantém as dúvidas sobre a decisão de política monetária do Banco Central no fim deste mês.
Na terça-feira – dado consolidado mais recente – as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 48% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em abril, 27% de chance de corte de 50 pontos-base e 15% de possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano
Com agências
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