Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump se econtram nesta quinta-feira (7), em Washington, após meses de expectativa de uma agenda exclusiva entre os líderes.
A pauta econômica deve ser um dos focos da reunião, com destaque para Pix e o tarifaço contra produtos importados do Brasil.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, faz parte da comitiva que foi aos Estados Unidos nesta quarta-feira (6). Antes de embarcar, o auxiliar de Lula sinalizou alguns temas que podem estar no debate entre os chefes de Estado.
“Há dúvidas nos Estados Unidos em relação ao Pix, por exemplo? Nós estamos à disposição para explicar”, afirmou, e pontou que o governo deve afastar algum lobby indevido que estaja ocorrendo.
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Pix e tarifas
No início de abril, o USTR (escritório de representação comercial da Casa Branca) publicou um documento apontando o Pix, projetos de lei que buscam regulamentar redes sociais e até a “taxa das blusinhas” como barreiras impostas pelo Brasil aos interesses americanos no comércio exterior.
A lista de obstáculos se soma a outras reclamações já tradicionais dos Estados Unidos, como lentidão no registro de patentes e problemas na área de propriedade intelectual, as tarifas para importação de etanol, restrições sanitárias para a carne de porco americana e cotas para produções audiovisuais nacionais (a chamada “cota de tela”).
O capítulo dedicado ao Brasil ocupa oito páginas no relatório e endossa pontos já mencionados no âmbito da Seção 301, investigação conduzida pelo USTR que entra em sua reta final nos próximos meses e pode resultar em tarifas específicas contra produtos brasileiros.
“O governo brasileiro impõe uma taxa linear de 60% para todas as encomendas expressas importadas pelo processo de Desembaraço Aduaneiro Simplificado”, afirma um trecho do relatório, acrescentando que o limite é de US$ 100 mil dólares/ano por importador.
“Além disso, a Receita Federal estabelece um valor máximo de US$ 10 mil para exportações e US$ 3 mil para importações”, diz o USTR.
O documento também aponta que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos’’.
E que partes interessadas dos Estados Unidos ‘’expressaram preocupações de que o BC conceda tratamento preferencial ao Pix, que prejudica os fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA’’.
Outro alvo da Casa Branca é o PL 4.675, projeto de lei enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional em setembro de 2025, que amplia os poderes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na regulação econômica de plataformas digitais e para evitar práticas anticoncorrenciais no setor.
Para o USTR, há risco de que empresas americanas sejam “desproporcionalmente” afetadas e sejam multadas pelo Cade em até 20% do faturamento global.
O governo americano também critica o patamar tarifário aplicado pelo Brasil sobre produtos importados como um todo.
Em 2024, segundo o relatório, a alíquota média do Brasil foi de 12,5% para bens industriais e de 9% para bens agrícolas.
Apesar de ter retirado a sobretaxa de grande parte dos produtos brasileiros no fim de novembro, os EUA ainda mantêm barreiras contra segmentos, como como aço, alumínio, cobre e móveis.
Minerais críticos e terras raras
Os minerais críticos e as terras raras – essenciais para tecnologias do futuro, abundantes no Brasil e desejo dos Estados Unidos – também devem ser discutidos. Os recursos são importantes na fabricação de ímãs de alto desempenho, motores elétricos e eletrônicos de consumo.
O principal objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo diplomatas brasileiros, é firmar um acordo com Lula sobre minerais críticos, segundo apuração da CNN Brasil.
Enquanto isso, o governo discute junto ao Congresso um novo marco para o setor e defende regras que garantam a agregação de valor ao mineral nacionalmente.
Para completar, uma mineradora americana, a USA Rare Earth, impactou o mercado e anunciou no fim de abril a compra da brasileira Serra Verde, que explora terras raras, por US$ 2,8 bilhões.
Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos propôs ao Brasil um acordo voltado à cooperação em minerais críticos que inclui, entre outros pontos, discussões sobre preços mínimos para esses insumos e investimentos em capacidade de refino e transferência tecnológica ao território nacional, segundo fontes envolvidas diretamente nas negociações e trechos do documento obtidos pela reportagem.
O acordo, segundo fontes, só seria assinado em eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump.
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