Um homem foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (6) sob suspeita de se passar por médico para atender uma criança de 10 anos em tratamento contra um tumor cerebral maligno, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Segundo a investigação, Diogo dos Santos Serpa se apresentava como o profissional responsável pelo “home care” da criança, portadora de meduloblastoma grau IV, tipo de tumor cerebral maligno de crescimento rápido.
O suspeito foi detido por agentes da 63ª Delegacia Policial (Japeri) no bairro Jardim Pitoresco, ao término de um atendimento domiciliar. De acordo com a Polícia Civil, ele comparecia à residência desde outubro de 2025. Em ao menos seis atendimentos, teria prescrito medicamentos, solicitado exames e emitido encaminhamentos usando o nome de um profissional que não era ele.
Leia Mais
-
Mulher que morreu após colonoscopia teve 50% do intestino danificado em SP
-
Casos de câncer em adultos até 50 anos cresceu 79% nas últimas três décadas
-
Mulher perde parte do intestino após instrumento esquecido em cirurgia
Como a suspeita surgiu
A desconfiança começou quando a mãe da criança notou inconsistências nas prescrições e consultou o cadastro do Conselho Regional de Medicina (CRM). A foto vinculada ao registro utilizado não correspondia ao homem que frequentava a casa, segundo o relato registrado na delegacia.
A família procurou a 63ª DP, e equipes foram enviadas ao endereço. Os agentes efetuaram a prisão ao fim de mais um atendimento. Ao ser chamado pelo nome do médico verdadeiro, o suspeito respondeu e assumiu a identidade diante dos policiais, segundo o auto de prisão em flagrante.
O que foi apreendido e crimes imputados
Com o suspeito, a polícia apreendeu carimbo e blocos de receituário de controle especial no nome do médico cuja identidade era usada. Também foram encontrados receituários carimbados em nome de um segundo profissional e outros blocos timbrados, o que, para a autoridade policial, indica a habitualidade da conduta.
Diogo foi indiciado por exercício ilegal da medicina com fim de lucro (art. 282 do Código Penal, combinado com a Lei 12.842/2013), uso de documento particular falso (art. 304 c/c art. 298), falsa identidade (art. 307), estelionato na forma tentada (art. 171 c/c art. 14, II) e perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132), em concurso material (art. 69).
A autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sob o argumento de risco de reiteração. A decisão sobre a manutenção da prisão cabe à Justiça, em audiência de custódia.
Segundo a polícia, o suspeito responde a outras quatro apurações — por falsidade ideológica, dois furtos em farmácia e peculato. Nenhuma delas resultou em condenação até o momento. As investigações prosseguem para apurar se houve outras vítimas e para esclarecer se o suspeito chegou a cursar medicina.
Comentários: