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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Polvo mais velho do mundo não é um polvo: descoberta intriga cientistas

Estudo corrige identidade de animal pré-histórico, que era tido como o polvo mais velho, e revela que ele é um parente do náutilo moderno

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Polvo mais velho do mundo não é um polvo: descoberta intriga cientistas
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A história de um fóssil de 300 milhões de anos foi reescrita depois que cientistas descobriram que ele não pertence ao polvo mais antigo do mundo, como se pensava anteriormente.

Na verdade, pertence a um animal aparentado com o náutilo moderno, que possui tentáculos e uma concha externa, de acordo com um estudo publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B.

“Basicamente, utilizamos uma ampla seleção de novas técnicas analíticas para descobrir características anatômicas ocultas na rocha”, disse à CNN na quinta-feira o autor principal do estudo, Thomas Clements, professor de zoologia de invertebrados na Universidade de Reading, Inglaterra.

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“E conseguimos determinar que não se trata de um polvo, mas sim de um nautiloide (família de moluscos) em avançado estado de decomposição, parente dos náutilos modernos.”

O fóssil, denominado Pohlsepia mazonensis, foi encontrado no sítio arqueológico de Mazon Creek, ao sul de Chicago, Illinois.

Os paleontólogos estavam intrigados há muito tempo com o fóssil, pois ele é muito mais antigo do que o segundo polvo mais antigo conhecido, que data de cerca de 90 milhões de anos.

Clements explicou que o animal estava em decomposição havia semanas antes de ser enterrado, o que conferiu ao seu fóssil uma aparência semelhante à de um polvo, levando muitos cientistas a concluir que os polvos viveram muito antes do que se pensava.

A espécie Pohlsepia mazonensis foi encontrada ao sul de Chicago, Illinois • Universidade de Reading

No entanto, outros questionaram se esse era realmente o caso, já que certas características, como o comprimento e o formato dos braços, não correspondiam ao que seria esperado, disse Clements.

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Identidade trocada

Como resultado, ele decidiu reexaminar o fóssil usando novas técnicas científicas que não estavam disponíveis quando a primeira análise foi publicada em 2000.

“Utilizamos uma ampla gama de novas técnicas”, disse ele, incluindo o uso de um microscópio eletrônico de varredura e a realização de trabalhos de geoquímica.

Mas o fóssil continuava se recusando a revelar sua verdadeira identidade.

“Não estávamos chegando a lugar nenhum”, disse Clements. “Eu estava bastante frustrado.”

Tudo mudou quando um colega o convidou para escanear o fóssil usando imagens de sincrotron, uma técnica descrita pela Universidade de Reading como o uso de feixes de luz mais brilhantes que o sol. Essa técnica “gera os raios X mais poderosos do mundo”, explicou Clements.

“Revelou características anatômicas que estavam escondidas logo abaixo da superfície da rocha, de modo que você não consegue vê-las visualmente ao observar o fóssil”, disse Clements.

A equipe encontrou uma rádula, uma estrutura alimentar com fileiras de dentes. Havia pelo menos 11 dentes por fileira no fóssil, enquanto os polvos têm apenas sete ou nove, de acordo com um comunicado da Universidade de Reading.

“Foram esses minúsculos dentes que encontramos que nos permitiram identificar que não se tratava de um polvo”, acrescentou.

Clements afirmou que a pesquisa demonstra o poder das novas tecnologias para aprimorar nossa compreensão científica.

“Eles não só estão se tornando mais acessíveis, como também mais baratos, e isso está revolucionando as investigações paleontológicas”, disse ele, destacando o uso de sincótrons para descobrir proteínas e biomoléculas antigas, e técnicas de engenharia originalmente projetadas para testar materiais de construção para determinar a resistência da mordida de um dinossauro.

“Muita gente pensa na paleontologia como uma ciência muito antiquada”, disse Clements. “Mas, na verdade, somos uma ciência incrivelmente inovadora.”

FONTE/CRÉDITOS: julianaspolini
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